A repercussão do caso de maus tratos que terminou na morte do cão comunitário Orelha provocou reflexos diretos no setor de turismo. Uma agência de viagens de São Caetano do Sul, no ABC Paulista, anunciou o rompimento da parceria comercial com os hotéis Al Mare Florianópolis e Rede Mar de Canasvieiras, ambos em Santa Catarina.
A decisão foi divulgada em nota oficial nas redes sociais da empresa. No comunicado, a agência afirma que a medida foi tomada após a ampla divulgação de que os empreendimentos pertencem à família de adolescentes investigados por envolvimento nas agressões contra Orelha, na Praia Brava, em Florianópolis.
Segundo a agência, a empresa não compactua com atitudes que firam seus princípios institucionais. O texto destaca que o grupo preza por respeito, ética e cuidado com pessoas e animais, e que não manterá relações comerciais com parceiros associados a condutas que contrariem esses valores. A empresa também afirmou que seguirá atenta à postura de seus fornecedores e que pretende indicar apenas estabelecimentos alinhados às diretrizes que defende.
O caso que motivou a ruptura vem sendo investigado pela Polícia Civil de Santa Catarina. Orelha era um cão comunitário de cerca de dez anos, cuidado por moradores da Praia Brava. O desaparecimento do animal foi comunicado às autoridades em 16 de janeiro. Dias depois, ele foi encontrado por um dos cuidadores com ferimentos graves e em estado de sofrimento intenso.
Diante da gravidade das lesões, o cão precisou ser submetido à eutanásia. Laudos periciais apontaram que Orelha sofreu agressões com objeto contundente. A investigação identificou quatro adolescentes como suspeitos de ato infracional análogo a maus tratos, com base em imagens de câmeras de segurança e depoimentos colhidos ao longo do inquérito.
Além do caso de Orelha, a polícia apura outro episódio envolvendo o mesmo grupo de jovens. Um segundo cachorro, conhecido como Caramelo, teria sido jogado no mar. O animal sobreviveu. A existência de dois casos distintos reforçou a comoção pública e ampliou a pressão por respostas das autoridades.
A ligação familiar dos adolescentes investigados com os hotéis citados levou a repercussão para além da esfera policial e gerou impacto na imagem das empresas associadas. Nas redes sociais, consumidores passaram a cobrar posicionamentos de parceiros comerciais e a questionar vínculos com o grupo empresarial.
Enquanto isso, a investigação segue em andamento em Santa Catarina. Por se tratar de adolescentes, o caso corre sob regras específicas do Estatuto da Criança e do Adolescente. A polícia trabalha para concluir os laudos e reunir os elementos necessários para o encaminhamento ao Ministério Público.
A morte de Orelha também reacendeu debates sobre a proteção de animais comunitários e a responsabilização por maus tratos. Organizações de defesa animal têm usado o caso para cobrar punições mais rigorosas, além de políticas públicas que garantam segurança a animais que vivem sob cuidados coletivos.



