As secas intensificadas nos últimos anos levaram o Brasil a enfrentar uma drástica redução na superfície de água, que já é registrada pelo segundo ano consecutivo. No ano passado, a perda alcançou 400 mil hectares, uma área superior a duas vezes e meia a da cidade de São Paulo. Em 2023, a situação se agravou ainda mais, com uma redução de 571 mil hectares – o equivalente a todo o Distrito Federal. As informações são de uma pesquisa do MapBiomas, divulgada recentemente, que examina dados dos últimos 40 anos.
O bioma mais afetado foi o Pantanal, que perdeu 61% da cobertura de água em 2022. Pesquisadores apontam que a ocupação e o uso da terra, combinados com eventos climáticos extremos impulsionados pelo aquecimento global, estão deixando o país cada vez mais seco. Em dois anos, a área classificada como seca no Brasil cresceu mais de 900 mil hectares, correspondendo ao dobro da área do Distrito Federal.
As previsões para 2024 mostram uma continuidade dessa tendência, com uma ligeira redução de 2% na cobertura de água em comparação com 2023, caindo de 18,3 milhões de hectares para 17,9 milhões de hectares. Este número é 4% inferior à média histórica, reforçando a preocupação expressa pela pesquisadora do MapBiomas Água, Mariana Dias.
De acordo com Dias, a grande seca na Amazônia teve um papel crucial nessa diminuição. A região enfrentou em 2024 um período de seca extrema, com grandes rios secando e diversas áreas emergindo. Por outro lado, eventos de cheias sem precedentes afetaram o bioma Pampa e áreas de transição com a Mata Atlântica, impactando drasticamente a população local.
Desde 2009, apenas 2022 registrou um aumento na superfície de água brasileira, sendo que oito dos dez anos mais secos ocorreram na última década. Embora a água armazenada em hidrelétricas, reservatórios e áreas de mineração tenha crescido 54% desde 1985, totalizando 1,5 milhão de hectares a mais, esse ganho não foi suficiente para reverter a tendência geral de diminuição.
A maior perda nos últimos anos ocorreu em rios e lagos, que representam 77% da cobertura hídrica do Brasil, com uma redução de 15%, correspondendo a 2,4 milhões de hectares a menos em comparação com 1985. A Amazônia, possuindo mais da metade da água do país, também sofreu os efeitos da seca extrema no ano passado, vendo uma queda de 3,6% em relação à extensão média de água na região.