Na primeira carta da presidência da COP30, o Brasil convoca os países a se unirem em um “mutirão” para enfrentar as mudanças climáticas. O documento, assinado pelo embaixador André Corrêa do Lago e divulgado nesta segunda-feira (10), destaca que a mudança climática já é uma realidade iminente, afirmando que, por meio de uma ação coletiva, é possível “reescrever um futuro diferente”.
O embaixador enfatiza a urgência de implementar medidas concretas que envolvam a população nas discussões sobre o clima. A carta sustenta que o fim do desmatamento e a recuperação de áreas degradadas são fundamentais para a remoção de grandes quantidades de gases de efeito estufa e para a restauração de ecossistemas.
Para que essas iniciativas sejam viáveis, o documento ressalta a necessidade de um aumento no investimento global. A COP, que será realizada em Belém em novembro, é vista como uma oportunidade de alinhar os fluxos financeiros internacionais e integrar as transições digital e climática em uma nova revolução industrial.
Claudio Angelo, coordenador de política internacional do Observatório do Clima, elogia a carta por reconhecer a urgência da crise climática e promover o multilateralismo. No entanto, ele critica a falta de uma posição clara sobre a eliminação gradual dos combustíveis fósseis.
A carta também exorta os líderes mundiais a cumprirem seus compromissos de limitar o aumento da temperatura global a 1,5 °C e destaca a necessidade de um investimento de pelo menos US$ 1,3 trilhão anuais até 2035 para financiar a transição nos países em desenvolvimento.