O Impacto das Histórias em Quadrinhos na Leitura no Brasil
A influência das histórias em quadrinhos (HQs) na cultura brasileira se estende por gerações, com personagens icônicos que atravessam o tempo. O Dia Nacional das Histórias em Quadrinhos, celebrado em 30 de janeiro, celebra a primeira HQ publicada no Brasil, “As Aventuras de Nhô-Quim ou Impressões de uma Viagem à Corte”, criada pelo artista Ângelo Agostini em 1869. Este dia destaca não apenas a importância da data, mas também o papel fundamental que as HQs desempenham na formação de leitores desde a infância.
Estudantes como Heloísa, de 11 anos, e Gabriel Britto, um estudante de administração, são exemplos de como essa conexão se forma na infância. Gabriel compartilha que seus pais incentivaram seu hábito de leitura desde cedo, principalmente com uma coleção de gibis da Turma da Mônica e superheroes. Essa prática não só o ajudou a aprender a ler, mas também despertou uma paixão que o acompanha até hoje.
A neuropsicopedagoga Raquel Junqueira explica como as HQs favorecem o desenvolvimento cognitivo infantil. A leitura dessas histórias exige interpretação de imagens, compreensão emocional e organização sequencial, habilidades essenciais que estimulam a atenção, memória e linguagem. Assim, os quadrinhos tornam-se uma ferramenta eficaz, especialmente para crianças que estão se alfabetizando ou que apresentam dificuldades de aprendizado.
Além de promover prazer e recompensa ao cérebro, as HQs atuam como uma porta de entrada para a leitura independente. No Brasil, onde muitos não têm o hábito de ler livros, os quadrinhos podem facilitar a transição para textos mais complexos, atraindo a curiosidade das crianças com narrativas visuais e personagens envolventes.
Com a evolução tecnológica, as HQs se adaptaram ao espaço digital. A quadrinista Helô D’Ângelo observa que o consumo de quadrinhos nas redes sociais exige uma abordagem diferente. O tema é muitas vezes desmembrado em partes menores, adaptando-se ao formato dinâmico e rápido das plataformas. Essa estratégia busca captar e manter a atenção dos seguidores, um desafio constante no ambiente digital.
Dados recentes do Instituto Pró-Livro revelam que mais da metade da população brasileira não possui o hábito da leitura, reforçando a necessidade de alternativas que fomentem esse hábito. As histórias em quadrinhos permanecem como uma solução viável para estimular o interesse pela leitura no país e transformar a cultura literária nacional.
