A realização do MotoGP em Goiânia não exigiu apenas a preparação do autódromo, mas a reorganização funcional da própria cidade. Para absorver o impacto de um público estimado em 65 mil pessoas, majoritariamente de fora do estado e com presença estrangeira, o planejamento urbano foi estruturado a partir da divisão da capital em áreas estratégicas, cada uma com funções específicas dentro da operação do evento.
Essa divisão não é meramente geográfica. Ela foi desenhada para distribuir o fluxo de visitantes, evitar sobrecargas concentradas e permitir que diferentes regiões assumam papéis complementares na recepção do público. A área mais próxima ao Autódromo Internacional Ayrton Senna concentra as intervenções mais sensíveis, principalmente relacionadas a trânsito, segurança e controle de acesso. É ali que o impacto direto da chegada e saída do público é maior, exigindo bloqueios viários, sinalização reforçada e presença ampliada de agentes de mobilidade e forças de segurança.
Em um segundo nível, bairros tradicionalmente associados à hotelaria, gastronomia e serviços entram como zonas de apoio à hospedagem e circulação de turistas. Regiões como Marista, Oeste, Centro e Pedro Ludovico passam a funcionar como polos de permanência e consumo, absorvendo parte da demanda gerada por visitantes que não ficarão hospedados nas imediações do autódromo. Essa estratégia evita que toda a pressão se concentre em um único ponto da cidade e estimula a distribuição dos benefícios econômicos.
Uma terceira faixa urbana, mais ampla, incorpora bairros que podem receber eventos paralelos, atividades culturais e hospedagens alternativas, como aluguel de temporada. A proposta é diluir o fluxo turístico, reduzindo riscos de congestionamento extremo e permitindo que diferentes áreas de Goiânia participem do movimento econômico gerado pelo MotoGP. Ao incentivar a descentralização, o planejamento também busca preservar a mobilidade nos eixos mais críticos da cidade.
Essa organização territorial orienta ainda a instalação de pontos de apoio ao turista, reforço na sinalização bilíngue e definição de rotas preferenciais de transporte coletivo. Ao estruturar Goiânia por funções operacionais, o poder público cria um modelo de gestão urbana temporária, voltado para situações de grande concentração de público. A experiência tende a servir como referência para futuros eventos de grande porte, consolidando um padrão de planejamento que vai além do improviso.
O redesenho funcional da cidade demonstra que o impacto do MotoGP não se restringe aos limites do autódromo. Ele alcança a malha urbana como um todo e exige coordenação entre planejamento urbano, turismo, mobilidade e serviços. Ao adotar essa divisão estratégica, Goiânia se prepara para operar, ainda que por alguns dias, como cidade anfitriã de um evento de padrão internacional.

