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Meio Ambiente

Indígenas criticam decisões da COP30 em Belém por falta de diálogo e proteção às terras tradicionais

Redação
Publicado 22 de novembro de 2025
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Indígenas criticam decisões da COP30 em Belém por falta de diálogo e proteção às terras tradicionais
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Na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP30, realizada em Belém, no Pará, um número recorde de representantes indígenas de diversas partes do mundo expressou suas preocupações sobre as diretrizes discutidas. O Caucus Global Indígena criticou o rascunho das resoluções apresentadas na última sexta-feira (21), alertando para a ausência de diálogo efetivo entre os organizadores do evento e os povos indígenas.

A representante do povo Terena, Taily Terena, trouxe a perspectiva brasileira para a discussão, enfatizando a expectativa de que o Brasil, como líder na diplomacia ambiental e lar da maior região da Floresta Amazônica, refletisse a voz de mais de 300 etnias indígenas. Entretanto, ela ressaltou a falta de inclusão dos povos indígenas nas conversas com a presidência da COP.

“Esperávamos mais participação, especialmente considerando o papel do Brasil no cenário climático global. A falta de diálogo é alarmante”, declarou Taily.

Além disso, Taily abordou a necessidade de um financiamento direto para a proteção das terras indígenas, criticando iniciativas como o Fundo Floresta Tropical para Sempre (TFFF). Segundo ela, a monetização da natureza não é uma solução viável e representa um problema, uma vez que limita o acesso direto aos recursos necessários para a preservação das comunidades.

“A natureza não deve ser monetizada. O valor oferecido via TFFF é irrisório em comparação ao que realmente fazemos”, afirmou.

Outra questão levantada pela representante foi a escassez de proteção adequada para as terras indígenas frente à exploração mineral. Taily expressou sua preocupação com os chamados minerais críticos, essenciais na atual geopolítica, e com os impactos da transição energética, que, segundo ela, têm afetado diretamente os territórios indígenas através da construção de usinas hidrelétricas e parques eólicos.

“Precisamos de um compromisso mais robusto em relação à proteção dos nossos direitos, especialmente nos contextos de exploração mineral e energias alternativas”, apontou.

Apesar das críticas, Taily Terena reafirmou que a luta dos povos indígenas continuará, independentemente do resultado da COP30. Ela sublinhou a determinação das comunidades em persistir na luta por seus direitos e na promoção de diálogos, ressaltando a importância das manifestações realizadas nas primeiras semanas do evento, que trouxeram visibilidade às suas causas.

“Nossa luta não termina aqui. Continuaremos a conversar, protestar e nos articular, pois estamos comprometidos com a defesa de nossos direitos”, finalizou Taily.

Maior participação de indígenas na COP

A COP30, que se faz presente em Belém, representa um marco histórico, com a maior participação de povos originários e comunidades tradicionais registrada até o momento. De acordo com o Ministério dos Povos Indígenas, mais de cinco mil indígenas participaram do evento, com 900 deles presentes na Zona Azul, a área dedicada às negociações oficiais da conferência.

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