O núcleo de Ópera da Bahia inicia sua temporada com a turnê da “Ópera dos Terreiros”, uma obra que homenageia a rica cultural afro-brasileira e se inspira no clássico “Romeu e Julieta” de William Shakespeare. A narrativa do espetáculo aborda o amor proibido entre um negro banto e uma negra nagô, cujos destinos se entrelaçam na formação do Brasil colonial, como explica o maestro Aldo Brizzi.
Brizzi destaca a proposta inovadora da produção, que mistura o canto lírico da ópera tradicional com elementos do candomblé, incluindo batuques e música eletrônica. Essa fusão promete criar uma nova experiência sensorial, em que a história se desenrola com a dramaticidade característica de uma ópera, transportando o público para a Bahia de 1840. “É como assistir a um filme com personagens que, como no drama shakespeariano, enfrentam desafios e conflitos sociais”, afirma.
No enredo, a força dos orixás e os rituais afro-brasileiros se entrelaçam ao universo shakespeariano, conduzindo os amantes por uma jornada repleta de resistência e paixão. De acordo com Brizzi, personagens intangíveis como Exú, Oxum, Iansã e Dona do Tempo desempenham papéis cruciais, influenciando os eventos da história. A obra apresenta também elementos simbólicos de ancestralidade e saudade, refletindo a origem africana dos protagonistas.
A “Ópera dos Terreiros” está inserida no Festival Ópera Nordeste (Fopen) e será apresentada em várias cidades: no Teatro Tobias Barreto, em Aracaju, nesta terça-feira; no Teatro Gustavo Leite, em Maceió, na quinta-feira; e nos dias 16 e 18 de março, no Cineteatro 2 de julho, em Salvador, sempre às 19h.