A peça “Eles Não Usam Black-Tie”, de Gianfrancesco Guarnieri, está em cartaz no Teatro Dulcina, no Rio de Janeiro, apresentando uma reflexão sobre a luta de operários por melhores condições de trabalho, um tema ainda relevante nos dias atuais. Montada pela primeira vez em 1958, a produção traz à tona questões sociais complexas, como a luta de classes e o racismo, ambientando sua narrativa em um morro da capital fluminense.
A trama gira em torno do jovem metalúrgico Tião e sua namorada Maria, que, ao descobrir a gravidez da moça, decidem se casar. Em meio a esse momento pessoal, o tumulto de um movimento grevista da categoria se instala, gerando uma divisão entre os trabalhadores. Com receio de perder o emprego, Tião decide furar a greve, o que o coloca em conflito com seu pai, um militante sindical encarcerado durante a ditadura.
João Velho, diretor da montagem e intérprete de um dos personagens, destaca a atualidade da obra. “Com certeza podemos dizer que o espetáculo continua atual. Mesmo com as greves de hoje em dia sendo diferentes, a luta de classes persiste”, afirma ele. Além de trazer à tona a riqueza dos personagens, Velho enfatiza a importância de apresentar essa peça em um horário nobre e em um teatro tão significativo quanto o Dulcina.
A montagem está na responsabilidade da Única Companhia de Teatro, que surgiu do grupo Nós do Morro, dedicado a transformar vidas através do acesso à arte. Velho expressa sua honra em apresentar o espetáculo em um contexto tão relevante e reforça a necessidade de um espaço de debate sobre as questões levantadas na peça. “É importante todo mundo assistir, debater e ter essa efervescência democrática. Não é uma peça maniqueísta, é muito humana. As pessoas têm que entender seu lugar no mundo”, conclui.
A temporada da peça vai até 13 de abril, com sessões de quinta a sábado, às 19h, e aos domingos, às 18h. Os ingressos estão disponíveis por R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada).