Um estudo recente realizado pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia revelou que as áreas protegidas da Floresta Amazônica são fundamentais para a conservação das onças-pintadas. A pesquisa mapeou as populações desses felinos em 22 áreas protegidas distribuídas pelo Brasil, Equador, Peru e Colômbia, utilizando 40 câmeras instaladas em parques nacionais, reservas extrativistas e terras indígenas.
As regiões selecionadas para o monitoramento foram escolhidas para representar a diversidade de ecossistemas amazônicos, incluindo florestas de terra firme, igapós e várzeas, com variações em altitude, temperatura média e pressão humana. Um dos principais achados do estudo foi na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, no Amazonas, que registrou uma concentração surpreendente de quase dez onças por 100 quilômetros quadrados, equivalente a 1.180 indivíduos fotografados, desempenho comparável ao do Pantanal, que tem uma média de doze onças na mesma medida de área.
Além disso, os pesquisadores analisaram a relação entre os tipos de floresta e a densidade populacional das onças. As imagens capturadas indicam que esses animais preferem as áreas de várzea, que oferecem uma maior disponibilidade de alimentos e facilitam sua locomoção. Em contrapartida, a presença significativa de humanos força as onças a percorrerem distâncias maiores em busca de recursos alimentares adequados.
Os cientistas também destacam a importância de uma gestão adequada das chamadas “florestas públicas não destinadas”, que somam 56,6 milhões de hectares, uma área equivalente à da Espanha. Estas terras aguardam definição de uso e estão sendo cada vez mais afetadas pela grilagem. Uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia indica que entre 2019 e 2021, cerca de 51% do desmatamento ocorreu em terras públicas, com as florestas públicas não destinadas sendo as mais atingidas. A proteção dessas áreas é crucial para garantir a sobrevivência das onças-pintadas e o equilíbrio dos ecossistemas amazônicos.