A realização do MotoGP em Goiânia exigiu a construção de um plano de mobilidade que rompe com a lógica cotidiana de deslocamento na cidade. Diante de um público estimado em 65 mil pessoas no autódromo e mais de 100 mil pessoas circulando pela Capital, a limitação física das vias no entorno do Autódromo Internacional Ayrton Senna, exigiu uma estratégia adotada para reduzir ao máximo a presença de veículos particulares na região do evento e priorizar o transporte coletivo organizado.
O acesso direto de carros ao autódromo será restrito nos dias de maior movimento. A medida não tem caráter apenas de controle, mas de necessidade operacional. A malha viária próxima ao circuito não comporta o volume de veículos que seria gerado caso a maioria do público optasse por chegar de forma individual. Ao limitar essa possibilidade, o planejamento busca evitar congestionamentos prolongados, atrasos na chegada dos espectadores e dificuldades para circulação de viaturas de emergência e serviços essenciais.
Para viabilizar essa mudança de comportamento, o plano prevê a implantação de bolsões de estacionamento em pontos estratégicos da cidade. Esses espaços funcionarão como áreas de transição, onde o público poderá deixar o carro e embarcar em transporte coletivo especial com destino ao autódromo. Locais como a região do Serra Dourada e o Paço Municipal entram nessa operação como polos de integração, conectando o transporte individual ao sistema organizado de deslocamento.
A partir desses bolsões, linhas especiais de ônibus farão o transporte direto até as áreas de acesso ao evento. A operação foi desenhada para oferecer frequência elevada, rotas definidas e sinalização clara, reduzindo incertezas para um público que, em grande parte, não conhece a cidade. A previsibilidade dos trajetos é considerada um dos pilares para o bom funcionamento da mobilidade, especialmente diante da presença significativa de visitantes de outros estados e do exterior.
O planejamento também incorpora critérios de sustentabilidade. Parte da frota utilizada deve ser composta por veículos de menor emissão, como ônibus movidos a biometano e modelos elétricos. Além de reduzir impactos ambientais, a medida reforça a imagem do evento como uma operação alinhada a práticas modernas de mobilidade urbana. A escolha dialoga com a necessidade de minimizar a poluição em um momento de grande concentração de pessoas e veículos na cidade.
Outro ponto relevante é a organização de áreas específicas para motocicletas, considerando o perfil do público da motovelocidade. Estacionamentos dedicados a esse tipo de veículo serão estruturados nas imediações do autódromo, integrando a cultura do evento à logística urbana. Ao mesmo tempo, rotas alternativas estão sendo planejadas para preservar o acesso de moradores de condomínios e bairros próximos, evitando bloqueios que prejudiquem a rotina local.
O plano de mobilidade do MotoGP revela um esforço de coordenação entre órgãos estaduais, prefeitura e forças de trânsito para transformar temporariamente a forma como a cidade se desloca. Ao priorizar o transporte coletivo e organizar fluxos a partir de pontos definidos, Goiânia busca reduzir riscos operacionais e garantir que a experiência do público seja marcada por previsibilidade e segurança, e não por congestionamentos e desorganização

