Ponte é arrastada pela chuva e moradores improvisam tirolesa entre cidades goianas

Estrutura precária ligava distrito de Pirenópolis a Vila Propício; com destruição, população evita desvio de 30 quilômetros usando travessia improvisada sobre o Rio do Peixe

3 Leitura mínima
Ponte é arrastada pela chuva e moradores improvisam tirolesa entre cidades goianas

A força da chuva voltou a escancarar a fragilidade da infraestrutura em áreas do interior de Goiás. Uma ponte improvisada de madeira, que ligava o distrito de Lagolândia, em Pirenópolis, ao município de Vila Propício, pela GO-479, foi arrastada pela correnteza após o aumento do volume do Rio do Peixe. Com isso, moradores ficaram praticamente isolados e recorreram a uma solução arriscada: a instalação de uma tirolesa para atravessar de uma margem à outra.

A ponte destruída era usada diariamente por pedestres, ciclistas e motociclistas. Sem ela, quem precisa se deslocar entre as duas localidades enfrenta agora um desvio de cerca de 30 quilômetros por estradas alternativas, o que impacta diretamente a rotina de trabalho, o acesso a serviços e o transporte de mercadorias.

Produtor rural da região, Eufrazio Camargo contou que atravessava o rio todos os dias para cuidar do gado que fica do outro lado. Com a ponte levada pela enxurrada, ele precisou mudar a rotina. Segundo ele, o trajeto mais longo torna inviável a travessia diária, obrigando a reduzir as visitas à propriedade.

A estrutura de madeira havia sido construída pelos próprios moradores depois que a ponte original, de alvenaria, foi destruída por uma enchente em 2021. Desde então, a travessia vinha sendo mantida de forma improvisada. Em maio de 2025, uma nova ponte de concreto começou a ser construída pelo poder público, mas a obra ainda está em estágio inicial e não resistiu ao período chuvoso atual por ainda não estar funcional.

Diante da urgência, moradores como Leandro decidiram agir. Ele e um vizinho montaram uma tirolesa artesanal para garantir a travessia de pessoas e pequenos volumes, como alimentos e produtos caseiros. Mesmo reconhecendo o perigo, Leandro afirma que a alternativa é a única forma viável de manter o deslocamento diário sem enfrentar a longa volta por estrada.

A situação evidencia um problema recorrente em regiões rurais do estado, onde comunidades dependem de soluções improvisadas enquanto aguardam obras definitivas que, muitas vezes, demoram anos para sair do papel. Procurada, a Secretaria de Estado da Infraestrutura de Goiás não se manifestou até a última atualização desta matéria sobre o andamento da construção da ponte de concreto.

Enquanto isso, a população segue se equilibrando entre a necessidade e o risco, cruzando o rio suspensa por cabos, à espera de uma ligação segura que devolva o direito básico de ir e vir.

Ponte de madeira danificada por enchente.

Compartilhe este artigo
Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *