Ir à feira é mais do que um hábito em Goiânia, é parte da identidade da cidade. Espalhadas por bairros de todas as regiões, as feiras livres funcionam como pontos de encontro, espaços de convivência e motores da economia local. Seja para comprar alimentos frescos, comer pastel com caldo de cana, escolher roupas, ouvir música ou simplesmente circular, a feira é um ritual semanal para milhares de goianienses.
Atualmente, a capital goiana conta com 122 feiras livres cadastradas, segundo a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico. Nelas, é possível encontrar de tudo: frutas, verduras, carnes, comidas típicas, roupas, acessórios, artesanato e produtos regionais. Essa diversidade ajudou a consolidar Goiânia como referência nacional, rendendo o título informal de capital das feiras.
Para quem frequenta, a diferença está na qualidade e no contato direto com quem produz. A administradora Paula Oliveira, de 38 anos, conta que voltou às feiras após perceber a superioridade dos alimentos. Para ela, além do custo-benefício, a feira representa pertencimento. “É uma coisa muito goiana. A feira pertence ao goiano e o goiano pertence à feira”, resume.
Essa relação também conquista quem chega de fora. A servidora pública Andriele Ávila, natural do Mato Grosso e moradora de Goiânia há mais de dez anos, diz que adotou a cultura local. Segundo ela, a feira virou compromisso semanal, tanto pelo preço quanto pela experiência de consumo e pelo incentivo aos pequenos produtores.
Nos últimos anos, as feiras também ganharam projeção nacional ao entrarem no roteiro de famosos que visitam a cidade. A jornalista Patrícia Poeta, por exemplo, percorreu uma feira durante passagem por Goiânia, experimentou pamonha, jantinha e doces regionais, e elogiou o acolhimento do povo goiano nas redes sociais.
A cantora Ana Castela e a atriz Isabelle Drummond também ajudaram a amplificar essa vitrine cultural. Em postagens descontraídas, mostraram visitas a feiras, pit dogs e a gastronomia típica, aproximando o público de outras regiões da vivência cotidiana da cidade.
A história das feiras acompanha a própria formação de Goiânia. Elas surgiram ainda na década de 1940 como forma de garantir o abastecimento da população. Com o tempo, deixaram de ser apenas espaços de venda de alimentos e passaram a concentrar comércio, lazer, gastronomia e convivência social.
Na década de 1960, nasceram as feiras especiais, com destaque para a Feira Hippie, considerada a maior feira livre do Brasil e da América Latina. Realizada aos domingos, ela reúne milhares de feirantes e atrai compradores de todo o país, movimentando a economia local e o turismo regional.
Além da tradição, as feiras representam oportunidades de transformação de vida. O empreendedor Vitor Hugo, de 29 anos, encontrou nelas um novo caminho após perder o emprego durante a pandemia. Hoje, vendendo bolos e tortas, ele usa as redes sociais para mostrar a rotina e afirma que a feira devolveu não apenas renda, mas autonomia e qualidade de vida.
Histórias como a do feirante Admair Martins Pereira, que trabalha há cerca de 30 anos nas feiras de Goiânia, mostram a força desse modelo. Com o dinheiro do trabalho, ele conseguiu formar os filhos em universidades particulares. A rotina é puxada, começa de madrugada e não tem folga fácil, mas, segundo ele, é um trabalho digno que sustenta gerações.
Do ponto de vista econômico, as feiras são uma das principais portas de entrada para novos empreendedores. De acordo com o Sebrae, esses espaços permitem começar pequeno, testar produtos, criar vínculo com o consumidor e fortalecer a economia local. O dinheiro circula dentro do estado, gerando renda, empregos e identidade.
Essa combinação de tradição, diversidade, oportunidade e pertencimento explica por que Goiânia não apenas abriga feiras, ela vive delas. Mais do que comércio, as feiras seguem como um dos símbolos mais fortes da cultura goiana.

