Produção de algodão no Brasil cresce 2,8 milhões de fardos em 2024; Goiás se destaca no cenário nacional

O Brasil eleva sua produção de algodão em 2024, destacando-se como líder em exportações. Goiás avança em produtividade e cresce nas exportações para a Ásia.

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Produção de algodão no Brasil cresce 2,8 milhões de fardos em 2024; Goiás se destaca no cenário nacional

O Brasil consolidou-se como o terceiro maior produtor mundial de algodão, atrás apenas de China e Índia, contribuindo com 13% da produção global. Conforme dados do USDA, na safra 2023/24, a produção mundial sofreu uma queda significativa nos países asiáticos e nos Estados Unidos, enquanto o Brasil registrou um aumento notável de 2,8 milhões de fardos de algodão (480 lb cada). No cenário brasileiro, Goiás figura na sétima posição, com a expectativa de colher 138,2 mil toneladas na safra 2024/25. Os principais polos produtores no estado incluem Chapadão do Céu, Luziânia, Cristalina, Britânia e Jussara.

 

A cotonicultura no Brasil e, em especial, em Goiás, apontou um desempenho positivo em 2024, com um aumento contínuo na produção de algodão ao longo de três ciclos sucessivos. Desde a safra 2020/21, a área de cultivo no estado cresceu 11%, enquanto a média nacional subiu 41,9%. Goiás destacou-se na produtividade do caroço de algodão, passando de 2,4 ton/ha em 2016/17 para 3,0 ton/ha na safra 2023/24, uma melhoria de 21,7%. Para a safra 2024/25, o estado está projetado para alcançar a terceira colocação em rendimento médio de algodão em pluma e caroço.

 

As exportações de algodão e de seus produtos brasileiros em 2024 atingiram 163 destinos, com um impressionante aumento de 34,7% na última década. O Brasil se firmou como o maior exportador mundial do produto, enquanto Goiás enviou seus produtos para 35 países, com destaque para o crescimento das exportações para a China (+10%), Vietnã (+18,8%), Indonésia (+12,9%) e Malásia (+66,5%), em relação ao ano anterior.

 

No último trimestre de 2024, observou-se um aumento significativo no volume exportado de algodão não cardado nem penteado, produto principal nas transações comerciais. Esse crescimento é uma tendência habitual após setembro, quando há maior disponibilidade do produto. Adicionalmente, os fatores cambiais contribuíram para a competitividade da pluma brasileira em dezembro.

65,1% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Apesar da queda de 52,6% nas importações chinesas, o Paquistão aumentou suas compras drasticamente, adquirindo 99,4 mil toneladas, enquanto Turquia, Vietnã e Bangladesh ampliaram significamente suas aquisições.

Os principais mercados para a fibra brasileira estão na Ásia, apesar da forte produção da fécula chinesa e indiana. Esse panorama reflete uma crescente demanda por fibras naturais na região, representando uma oportunidade para o Brasil no fortalecimento de sua cadeia produtiva.

 

Com relação ao plantio, até 16 de fevereiro, Goiás já havia semeado 97% da área destinada ao algodão, superando em 7 pontos percentuais o mesmo período do ano anterior. Em outras regiões do Brasil, o plantio foi concluído nos estados do Maranhão, Piauí e Mato Grosso do Sul. Para a safra 2024/25, espera-se uma colheita recorde de 9 milhões de toneladas de algodão no Brasil, com um incremento de 2,5% nos estoques finais e de 2,2% no consumo interno, além de um aumento projetado de 5,6% nas exportações.

 

Aspectos da Produção de Algodão em Goiás

A fibra de algodão, oriunda da planta do algodoeiro (gênero Gossypium), apresenta alta resistência, sendo composta principalmente por 94% de celulose. As fibras são classificadas em curta, média e longa, com a maioria (97%) direcionada à confecção de tecidos industrializados e apenas 3% utilizadas em produtos de maior sofisticação.

 

Além das aplicações têxteis, o algodão possui amplas utilizações industriais, especialmente após passar por processos de esterilização e branqueamento, tornando-se valioso na fabricação de curativos e produtos de higiene. O caroço do algodão ainda é aproveitado na produção de biodiesel, ração animal e óleos para uso culinário e cosmético.

 

O cultivo da planta requer cuidados especiais, com um ciclo aproximado de 160 dias, necessitando de uma irrigação variável de 750 a 900 mm, solo rico em nutrientes e temperaturas entre 22°C e 26°C.

 

Para garantir a regularidade das lavouras, a legislação exige cadastro no Sistema de Defesa Agropecuária de Goiás (Sidago) até 30 dias após o plantio, considerando as adaptações necessárias para o controle da praga bicudo-do-algodoeiro, um dos principais desafios da cultura no estado.

 

Visando promover a sustentabilidade e boas práticas no cultivo, a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (ABRAPA) criou o Programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR) em 2012, estabelecendo normas rigorosas para a certificação socioambiental. Reconhecido pelo Better Cotton Initiative (BCI), o programa permite que os produtores brasileiros acessem mercados exigentes e ampliem suas perspectivas de exportação.

 

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