Travessia a pé nos Lençóis Maranhenses: uma imersão no ecoturismo que conecta comunidades e preserva o parque

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Travessia a pé nos Lençóis Maranhenses: uma imersão no ecoturismo que conecta comunidades e preserva o parque

Caminhada pelo interior do Parque Nacional promove turismo sustentável e beneficia comunidades locais

Em contraste com as longas filas e a intensa presença de veículos 4×4 que dominam as entradas dos Lençóis Maranhenses, uma alternativa mais tranquila se destaca no coração do parque nacional: a travessia a pé. Esta experiência, que se desenvolve ao longo de três a cinco dias, oferece acesso a áreas pouco exploradas, redistribuindo o fluxo de turistas e amenizando os efeitos do turismo de massa.

Considerado Patrimônio Mundial Natural pela Unesco, o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses enfrenta um aumento significativo no turismo. Estatísticas do ICMBio revelam um impressionante crescimento de 191% na quantidade de visitantes entre 2019 e 2024, saltando de 141 mil para 440 mil pessoas. Somente nos primeiros sete meses de 2025, Santo Amaro do Maranhão recebeu mais de 381 mil turistas.

A questão da capacidade de carga do destino se torna cada vez mais urgente. Enquanto as áreas de acesso estão saturadas com grandes grupos, a parte interna do parque preserva um ambiente calmo e humano. Conforme Lucas Ribeiro, CEO da plataforma de viagens sustentáveis PlanetaEXO, “Os Lençóis abrangem 155 mil hectares, uma extensão comparável à cidade de São Paulo. A travessia a pé permite que os visitantes explorem esse vasto território, longe das multidões.”

travessia Lençóis Maranhenses
Travessia Lençóis Maranhenses – Banho de Lagoa (Foto: Marcelo Bonifácio/Divulgação)

O percurso inclui a travessia de dunas, lagoas sazonais e oásis habitados, com pernoites nas comunidades de Baixa Grande e Queimada dos Britos. Este formato prioriza grupos pequenos, guias locais e transporte exclusivamente a pé, sem veículos motorizados, dentro da área do parque.

A experiência transforma a relação entre turistas e o ambiente, como manifesta o suíço Guillaume Poupin: “Foi o contrário do turismo convencional. Uma vivência imersiva, longe das massas.” O francês Franck Nicolas complementa, destacando a convivência com os habitantes locais: “A beleza, a tranquilidade e a interação com as comunidades do oásis fazem a experiência ser inesquecível.”

Além de seu impacto ambiental positivo, a travessia também gera um efeito econômico significativo. Turistas que optam por se hospedar e se alimentar nas residências das famílias locais ajudam a fortalecer a economia da região, contribuindo para a permanência dessas comunidades. “A participação ativa da comunidade na atividade turística é fundamental,” conclui Lucas Ribeiro.

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