Em uma iniciativa colaborativa, dezenove universidades se reuniram para impulsionar projetos de pesquisa voltados ao desenvolvimento sustentável do Cerrado, o segundo maior bioma do Brasil, que é frequentemente chamado de “berço das águas”. Essa parceria ganhou forma com a criação do Instituto Nacional do Cerrado (INC), que foi inaugurado em dezembro de 2025 e funcionará provisoriamente na Universidade de Brasília (UNB). A professora de ecologia da UNB, Mercedes Bustamante, foi nomeada diretora executiva do instituto e destaca que, apesar de sua relevância ambiental e econômica, o Cerrado enfrenta sérios desafios devido ao crescimento do desmatamento. “O avanço da conversão da vegetação provoca impactos negativos que afetam até mesmo o agronegócio, incluindo a diminuição da biodiversidade, a perda de serviços ecossistêmicos e alterações climáticas. A conservação ambiental deve ser vista como essencial para a viabilidade do agronegócio. Um planejamento territorial que se baseie em conhecimento científico poderá ajudar a redirecionar as políticas públicas, permitindo novas abordagens sobre uso e ocupação do solo”, afirma Bustamante.
Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) revelam que o Cerrado perdeu 7.200 quilômetros quadrados de vegetação nativa entre agosto de 2024 e julho de 2025, marcando o segundo ano consecutivo de redução. O novo instituto enfrentará o desafio de se estruturar e garantir recursos financeiros de organismos nacionais e internacionais, inclusive através do Fundo Amazônia. O professor Laerte Ferreira, que será o diretor administrativo-financeiro do INC, menciona que será necessário um investimento anual de R$ 10 milhões.
“Esse valor é crucial para apoiar bolsas de pós-doutorado para jovens cientistas nas instituições envolvidas, além de permitir a estruturação administrativa do instituto e a realização de eventos científicos. Com empenho e foco, esperamos conseguir recursos de diversas fontes”, destaca Ferreira.
O objetivo dos gestores é qualificar o INC como uma organização social que será vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. É importante ressaltar que nem o Cerrado nem o Pampa possuem uma unidade de pesquisa dedicada sob a tutela do Ministério, o que sublinha a relevância desta nova iniciativa.
