Agência de turismo é investigada por suspeita de estelionato contra dezenas de clientes em Mato Grosso do Sul

Polícia Civil apura denúncias de mais de 40 vítimas que pagaram por pacotes de viagem não realizados

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Agência de turismo é investigada por suspeita de estelionato contra dezenas de clientes em Mato Grosso do Sul
1ª Delegacia de Ponta Porã. — Foto: PC/MS

A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul investiga uma agência de turismo localizada em Ponta Porã por suspeita de estelionato envolvendo dezenas de clientes. Até o momento, ao menos 43 pessoas já foram identificadas como vítimas, e 30 delas prestaram depoimento às autoridades. Há boletins de ocorrência registrados contra a empresa, que é suspeita de vender pacotes de viagem sem entregar os serviços contratados.

Segundo o delegado responsável pelo caso, Ítalo Amauri Teixeira da Silva, as vítimas relataram a compra de passagens aéreas e pacotes turísticos que não foram emitidos ou executados, mesmo após o pagamento integral ou parcial dos valores acordados. As investigações ainda estão em fase inicial, e a polícia segue colhendo depoimentos para dimensionar o prejuízo total causado.

Até o momento, não há uma versão formal apresentada pelos suspeitos no inquérito. O proprietário da agência já foi ouvido pela Polícia Civil, negou a prática de crimes e afirmou que o problema teria ocorrido por uma falha operacional. No entanto, as autoridades avaliam se houve dolo na conduta da empresa.

De acordo com o delegado, a simples não prestação de um serviço não caracteriza automaticamente estelionato. No entanto, o crime pode ser configurado caso fique comprovado que a empresa tinha conhecimento da incapacidade financeira de cumprir os contratos e, mesmo assim, continuou comercializando pacotes e recebendo pagamentos dos clientes.

Entre os relatos registrados está o do advogado Gustavo Ferreira de Lima. Ele informou que, em março, adquiriu um pacote de viagem para a Colômbia destinado a quatro pessoas, com embarque previsto para janeiro, no valor total de R$ 32 mil. Em julho, por motivos pessoais, solicitou o cancelamento e o reembolso.

Segundo Gustavo, a agência confirmou que realizaria a devolução do valor, mas, após meses de espera, apenas R$ 11 mil foram restituídos, por meio de outra empresa de turismo. O restante do montante ainda não foi devolvido.

A Polícia Civil orienta que todas as pessoas que se sentirem prejudicadas procurem a delegacia para registrar boletim de ocorrência. A formalização das denúncias é fundamental para identificar o número real de vítimas, apurar o valor total do prejuízo e fortalecer o andamento das investigações.

A agência de turismo está fechada desde a última sexta-feira (9) e deixou no local apenas um aviso informando que o atendimento ocorre exclusivamente por telefone. O caso segue sob investigação, e novas oitivas devem ocorrer nos próximos dias.

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