Armazém Docas no Rio de Janeiro receberá R$ 86 milhões para restauração e valorização da cultura negra

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Armazém Docas no Rio de Janeiro receberá R$ 86 milhões para restauração e valorização da cultura negra

O Armazém Docas André Rebouças, situado na histórica Pequena África, na zona portuária do Rio de Janeiro, está prestes a se transformar em um dos principais centros de valorização da memória e cultura negra da América Latina. Um projeto ambicioso de restauração e requalificação do espaço foi anunciado, com um investimento federal que ultrapassa R$ 86 milhões, proveniente do Fundo de Defesa dos Direitos Difusos, do Ministério da Justiça. A formalização do Termo de Execução Descentralizada ocorrerá na próxima terça-feira, 16 de outubro, envolvendo o Ministério da Cultura, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e a Fundação Cultural Palmares.

Erguido em 1871, o Armazém Docas foi o primeiro edifício brasileiro construído sem a utilização de mão de obra escravizada. Originalmente conhecido como Armazém Pedro II, o prédio recebeu o nome em homenagem ao engenheiro e abolicionista negro André Rebouças, que foi responsável por seu projeto e construção. Agora, o local será reconfigurado para abrigar o Centro de Interpretação do Patrimônio Mundial Cais do Valongo, que terá como objetivo promover ações que enaltecem a rica herança africana e o legado de Rebouças.

Além disso, o Armazém vai incluir um Laboratório Aberto de Arqueologia Urbana, que se dedicará à preservação e estudo de mais de um milhão de itens arqueológicos, muitos dos quais foram descobertos durante escavações no Sítio Arqueológico do Cais do Valongo, reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco. Este esforço visa garantir que a história e a cultura da população negra sejam respeitadas e valorizadas.

Entre 2003 e 2018, o Armazém também foi a sede da Ação da Cidadania, uma ONG fundada pelo sociólogo Betinho, voltada para a assistência alimentar a famílias em situação de vulnerabilidade. O local foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 2016, reconhecendo sua importância histórica e cultural.

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