Um avião de grande porte, com história internacional e peso de 35 toneladas, virou um dos cenários mais curiosos do interior de Goiás. Estacionado em uma fazenda às margens da GO-330, em Urutaí, no sudeste do estado, o Boeing 737-200 chama atenção de moradores, viajantes e curiosos que não esperam encontrar uma aeronave desse tamanho em pleno campo.
Antes de chegar a Goiás, o avião teve uma longa trajetória pelos céus do mundo. A aeronave já pertenceu a companhias aéreas do Canadá, da Alemanha, da Dinamarca e até de Nauru, uma pequena ilha no Oceano Pacífico. No Brasil, integrou a frota da Vasp, empresa que marcou época na aviação nacional e que faliu no início dos anos 2000.
Com a quebra da companhia, o avião acabou indo a leilão pela internet. Foi assim que a família do médico e piloto Benjamim Neto decidiu arrematar a aeronave. A compra, segundo ele, parecia uma loucura no início, mas logo ganhou outro significado. Para a família, tratava-se de uma oportunidade única, quase impossível de se repetir na história da aviação comercial brasileira.
Quando foi adquirido, o avião ainda guardava relíquias raras: caixa-preta, checklist original do piloto, diário de bordo e até sacolinhas usadas no serviço de bordo da época em que operava voos comerciais. Detalhes que ajudam a contar a história de décadas de operação aérea.
O transporte até Urutaí, em 2014, foi um capítulo à parte. Por não poder voar, o Boeing precisou ser desmontado em partes. As asas seguiram em uma carreta e o corpo da aeronave, chamado de fuselagem, em outra. Foram cerca de 270 quilômetros percorridos por estrada, saindo de Brasília até o interior goiano.
O processo foi longo e minucioso. Levaram cerca de quatro meses para desmontar o avião e mais três meses para remontá-lo já na fazenda. Hoje, quem passa pela rodovia consegue ver a aeronave de longe, imponente, contrastando com a paisagem rural ao redor da cidade.
Com 32 metros de comprimento e capacidade para mais de 100 passageiros, o Boeing 737-200 mantém boa parte de sua estrutura original. Por fora, ainda exibe faixas vermelhas e azuis. Por dentro, os bancos azuis, o piso escuro, os carrinhos de serviço de bordo e a cabine de comando ajudam a transportar o visitante para outra época da aviação.
A aeronave está aberta para visitação gratuita de moradores e turistas, embora a sede da fazenda seja fechada. A família planeja transformar o avião no centro de um restaurante temático, que deve ser inaugurado ainda este ano. A ideia é fortalecer o turismo local e transformar Urutaí em mais um ponto de parada obrigatória para quem cruza a região.
Mais do que um objeto curioso, o avião virou símbolo de memória, ousadia e visão de futuro. Uma peça da história da aviação mundial que encontrou pouso definitivo no coração de Goiás.

