A formação de um quarto ciclone extratropical no início de fevereiro de 2026 acendeu um sinal de alerta entre meteorologistas e especialistas em clima. O fenômeno, que se estrutura ao longo da costa das regiões Sul e Sudeste do Brasil a partir desta quarta-feira (4/2), deve provocar impactos em diversas áreas do país e suscitou questionamentos sobre a frequência deste tipo de evento no verão — estação em que normalmente esses sistemas não são tão comuns.
Este novo ciclone surge em meio a um ciclo atípico: são quatro formações em um espaço de aproximadamente um mês, um ritmo acima do padrão climático esperado para a estação. Tradicionalmente, ciclones extratropicais no Brasil tendem a ocorrer com maior incidência entre o outono e o inverno, quando as condições atmosféricas e o contraste térmico entre massas de ar favorecem esse tipo de sistema.
Segundo observações de setores técnicos, o Mato Grosso do Sul pode ser um dos estados mais afetados pela influência deste quarto ciclone, com volumes de chuva projetados em até 90 milímetros acima da média para o período. A instabilidade associada ao sistema também deve provocar chuva acima do esperado em partes do Sul e do Sudeste, com acumulados que podem alcançar 60 milímetros a mais do que os parâmetros históricos de fevereiro. No Nordeste, os valores ficam um pouco abaixo, mas ainda assim superiores ao cenário normal para esta época do ano, com cerca de 30 milímetros além dos padrões usuais.
Especialistas apontam que a combinação de fatores atmosféricos, como o aquecimento das águas oceânicas, variações nos ventos em grandes altitudes e a presença de áreas de baixa pressão, pode estar contribuindo para essa sequência de ciclones. Ainda assim, os pesquisadores ressaltam que a repetição consecutiva de sistemas ciclônicos em pleno verão merece atenção e estudos mais aprofundados, já que foge das expectativas climáticas tradicionais.
Os ciclones extratropicais são sistemas de baixa pressão que se formam geralmente em latitudes médias, caracterizados por ventos fortes, chuva e mudanças bruscas nas condições meteorológicas. No contexto brasileiro, eles podem afetar amplas áreas, alterando padrões de chuva, gerando ventos intensos e impactando atividades marítimas e terrestres. A presença de múltiplos ciclones em sequência sugere uma dinâmica atmosférica particular neste início de ano que ainda está sendo analisada por climatologistas.
Para a população, as orientações das autoridades meteorológicas incluem atenção às previsões detalhadas para cada região, preparação para volumes de chuva acima do normal, e cuidados com ventos fortes e instabilidades súbitas. No caso de áreas litorâneas, os impactos podem incluir ressaca marítima e agitação nas faixas de praia, o que exige cautela por parte de banhistas e pescadores.
Embora fenômenos como ciclones extratropicais façam parte do repertório climático do hemisfério Sul, a sequência observada nos últimos dias chama a atenção pelo caráter repetitivo em um período do ano em que normalmente essas formações são menos frequentes. A comunidade científica segue monitorando os desdobramentos, avaliando se as condições atuais representam uma anomalia isolada ou parte de uma tendência mais ampla relacionada às mudanças climáticas ou à variabilidade natural do clima.

