Milhares de pessoas foram às ruas neste fim de semana em diversas cidades do Brasil para cobrar justiça pela morte do cão Orelha, animal comunitário que vivia na Praia Brava, em Florianópolis, e morreu após ser brutalmente agredido no início de janeiro. A mobilização ganhou força nas redes sociais e se transformou em uma onda de protestos presenciais que reuniu ativistas da causa animal, protetores independentes e moradores comuns indignados com a violência.
Em São Paulo, o ato se concentrou na Avenida Paulista, com encontro marcado para as 10h no vão livre do Museu de Arte de São Paulo. O local, tradicional ponto de manifestações, ficou tomado por cartazes, faixas e pessoas levando seus próprios cachorros em um gesto simbólico de defesa da vida animal. Gritos de ordem pediam justiça por Orelha e punição rigorosa aos envolvidos no crime.
No Rio de Janeiro, manifestantes também se reuniram pela manhã em área central da cidade. Em Belo Horizonte, o ato aconteceu durante a Feira Hippie e seguiu em caminhada por avenidas movimentadas. Em Brasília, grupos se juntaram em espaços públicos conhecidos pela presença de tutores e pets. Capitais do Sul, do Norte e do Nordeste também registraram mobilizações, mostrando que o caso ultrapassou fronteiras regionais e virou símbolo nacional da luta contra maus tratos.
Orelha era conhecido pelos moradores da região onde vivia e recebia cuidados coletivos havia cerca de dez anos. A morte do animal após agressões cometidas por adolescentes gerou comoção e revolta. Para muitos dos que foram às ruas, o caso representa uma realidade mais ampla de violência contra animais que frequentemente não ganha visibilidade nem punição adequada.
Durante os atos, manifestantes defenderam o endurecimento das leis de proteção animal e maior fiscalização para evitar novos casos. Parte dos participantes também levantou o debate sobre a responsabilização de adolescentes em crimes com extrema crueldade, argumentando que situações como essa não podem ser tratadas como casos isolados ou de menor gravidade.
A investigação sobre a morte de Orelha segue em andamento em Santa Catarina. A Polícia Civil informou que um dos jovens inicialmente apontados como suspeito foi retirado da condição de investigado e passou a ser tratado como testemunha após análise de imagens. Outros adolescentes continuam sob apuração, e mandados de busca e apreensão já foram cumpridos em endereços ligados aos envolvidos e a familiares suspeitos de tentar coagir testemunhas.
Dois dos adolescentes investigados que estavam fora do país retornaram ao Brasil nos últimos dias, o que, segundo as autoridades, deve contribuir para o avanço do caso. Como o processo envolve menores de idade, parte das informações corre em sigilo, mas a pressão popular tem mantido o tema em evidência.
Nas ruas, o clima misturou tristeza e indignação com um forte senso de mobilização. Muitos participantes disseram que o protesto não era só por um cachorro, mas por todos os animais vítimas de violência e pela construção de uma cultura de respeito à vida. A série de atos pelo país mostra que a morte de Orelha se transformou em um marco na cobrança por justiça e por mudanças concretas na proteção aos animais no Brasil.

