O rádio, com mais de um século de presença no Brasil, permanece um meio de comunicação vital, desafiando as barreiras impostas pela era digital e pela inteligência artificial. Este meio de comunicação é capaz de alcançar regiões remotas, onde a energia elétrica e o sinal de celular muitas vezes não chegam.
Graciete Oliveira, moradora de Santa Luzia do Tide, no Maranhão, expressa sua paixão pelo rádio, ressaltando sua confiança nas informações que recebe. “É a maior invenção até hoje. O rádio opera onde não há eletricidade,” comenta. “É uma ferramenta que traz a verdade e serve como companhia para mim e minha família.”
O Dia Mundial do Rádio, celebrado em 13 de fevereiro, lembra a importância desse veículo, que continua relevante mesmo em um mundo que avança rapidamente. Antônio Lopes, de Goiânia, compartilha sua experiência de vida com o rádio, que sempre esteve presente em sua família. “É um companheiro constante; você pode escutá-lo enquanto realiza outras atividades, ao contrário da televisão, que exige atenção total,” afirma.
Com capacidade de salvar vidas, o rádio também se torna essencial em situações de emergência, como as enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul. O chargista e radioamador Carlos Latuff destaca a sua relevância durante desastres naturais: “Fiquei seis dias sem luz elétrica e o rádio de pilha foi meu único contato com o mundo.”
Na academia, o professor Luiz Ferrareto, especialista em radiojornalismo, sublinha que o rádio oferece uma companhia diferenciada devido ao seu custo acessível e à sua capacidade de conectar as pessoas com informações e entretenimento. “Nenhum outro meio consegue proporcionar isso de forma tão fiel,” diz o educador. “No Brasil, onde a comunicação acessível é essencial, o rádio brilha ainda mais.”
A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT) representa mais de três mil emissoras em todo o país. Cristiano Lobato Flôres, presidente da entidade, explica que a longevidade do rádio se deve à sua natureza acessível e democrática. “Com quase 104 anos de história, o rádio continua sendo um elo que conecta as pessoas de forma rápida e diversificada,” afirma.
De acordo com um estudo realizado pelo Kantar IBOPE em 2025, as ondas AM e FM continuam sendo as mais consumidas no Brasil. O levantamento revela que o rádio alcança quase 80% das regiões metropolitanas, com uma média diária de escuta de quase quatro horas entre os ouvintes.
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
