Exposição “Dobras e Desdobras” Reflete Sobre a Violência Contra Mulheres no Rio de Janeiro
A artista Liane Roditi apresenta sua primeira exposição individual, intitulada Dobras e Desdobras, no Centro Cultural Correios, no Rio de Janeiro. A mostra, que ficará em cartaz até 14 de março, aborda o tema da violência contra mulheres por meio de uma variedade de expressões artísticas, incluindo vídeos, fotografias, performances, esculturas e desenhos.
Roditi, que tem formação inicial na dança, decidiu se aprofundar nas artes plásticas explorando a relação entre seu corpo e o contexto social em que está inserida. Em sua obra, ela investiga a objetificação da mulher, enfatizando que suas vivências, embora pessoais, não são tratadas como uma autobiografia. O estudo do feminismo se torna central em sua atuação artística.
“Mergulhei nas artes visuais e passei a entender melhor como meu corpo se insere na sociedade, começando a produzir trabalhos que refletem essa realidade”, afirma Roditi.
A artista utiliza materiais como cabelos, sisal e fibras vegetais, simbolizando as imposições sociais enfrentadas pelas mulheres. A técnica de trançar, por exemplo, remete à resistência das mulheres escravizadas, que usavam seus cabelos como forma de comunicação e sobrevivência.
“Busco retratar, de forma simbólica, a figura da noiva e o peso que o corpo feminino carrega, utilizando diversos materiais que representam a construção da identidade da mulher em uma sociedade patriarcal”, explica Roditi.
A trajetória artística de Roditi começou na infância, aos três anos, quando começou a praticar balé, por recomendação médica. “Foi a melhor coisa que pude fazer, pois a dança me permitiu expressar meu corpo de maneira única”, relembra.
“A temática que eu abordo é de extrema relevância e deve ser discutida de diversas maneiras. Através das artes visuais, busco atrair a atenção do público para essas importantes questões sociais”, acrescenta a artista.
A entrada para a exposição “Dobras e Desdobras” é gratuita, oferecendo uma oportunidade para que o público possa refletir sobre a realidade das mulheres em nossa sociedade.
