Fósseis da Bacia do Araripe retornam ao Brasil após 30 anos e serão expostos em museu no Ceará

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Fósseis da Bacia do Araripe retornam ao Brasil após 30 anos e serão expostos em museu no Ceará

Após mais de trinta anos fora do Brasil, dois importantíssimos fósseis provenientes do território nacional retornaram e estão agora expostos no Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, na Universidade Regional do Cariri, localizada em Ceará. A cerimônia de repatriação ocorreu no Palácio Itamaraty no dia 25 de outubro, marcando um triunfo na preservação do patrimônio paleontológico brasileiro.

O primeiro fóssil restituído é um crustáceo de água doce, que estava sob custódia da Universidad Nacional del Nordeste, na Argentina, desde 1993. Este fóssil foi entregue à Embaixada do Brasil em Buenos Aires em dezembro do ano passado após intensas negociações entre as autoridades dos dois países.

O segundo exemplar, o peixe Vinctifer comptoni, estava apreendido pela polícia italiana desde 2024 e foi posteriormente encaminhado à Embaixada do Brasil em Roma. Este peixe é significativo por ter habitado a Terra há 113 milhões de anos, atingindo comprimentos de até 90 centímetros.

No mesmo evento, a Embaixada do Brasil em Berna, na Suíça, também recebeu uma doação de fósseis da Universidade de Zurique. Ao todo, foram oito caixas com 150 quilos de exemplares de peixes e outros fósseis. A embaixadora Maria Luisa Escorel celebrou a repatriação e a colaboração com a Suíça, destacando que este é apenas o começo de um trabalho contínuo nesse sentido.

“Recentemente, participamos da cerimônia de restituição de 45 fósseis da região do Cariri. Estamos muito felizes com essa cooperação”, afirmou a embaixadora.

Os três lotes de fósseis receberão a curadoria do Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens em Santana do Cariri e serão utilizados em pesquisas voltadas ao estudo da evolução das espécies, condições de extinções e movimentações das placas tectônicas. O Ministério de Ciência e Tecnologia afirmou que a repatriação de fósseis é um tema central para o fortalecimento do conhecimento científico no Brasil.

Com uma das mais ricas diversidade de fósseis do mundo, especialmente na Chapada do Araripe, o Brasil reforça seu compromisso com a preservação de seu patrimônio cultural e científico. O Ministério Público Federal já apresentou 34 pedidos de cooperação internacional para a repatriação de fósseis especificamente de Estados Unidos e Alemanha.

Desde 2022, mais de mil fósseis de animais e plantas foram resgatados, e outras solicitações estão em andamento, abrangendo países como Reino Unido, França, Japão, entre outros, que ainda detêm exemplares do acervo paleontológico brasileiro.

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