Neste sábado, dia 7, o Rio de Janeiro recebe um momento marcante no pré-carnaval. O grupo Agbelas, coletivo formado exclusivamente por mulheres percussionistas, faz sua estreia na cidade celebrando a cultura afro-brasileira com música, espiritualidade e união feminina.
A apresentação acontece no Aterro do Flamengo. A concentração está marcada para às 6h da manhã e o cortejo começa às 7h. O espaço escolhido reforça o simbolismo do encontro entre natureza, ancestralidade e tradição.
A performance será uma Oferenda Musical à Rainha do Mar, ritual que o grupo realiza tradicionalmente em Salvador no dia 2 de fevereiro, data dedicada a Iemanjá. Pela primeira vez, essa celebração ganha as ruas do Rio, ampliando sua dimensão cultural e espiritual.
Cerca de 100 percussionistas participam da apresentação. O cortejo reúne instrumentos tradicionais da cultura afro-brasileira, como o xequerê, conhecido pelo som marcante produzido pelo atrito de sementes em torno da cabaça. A proposta é transformar o espaço público em um momento de reverência, conexão e força coletiva.
A fundadora e maestrina do Agbelas, Gio Paglia, destaca que trazer a oferenda para o Rio representa expansão e reconhecimento. Após três anos consecutivos realizando o ritual em Salvador, o grupo agora reúne mulheres de diferentes estados do Brasil e também do exterior, que vêm ensaiando desde outubro para esse encontro.
Segundo Gio, o Agbelas vai além da música. O coletivo se consolidou como um espaço de acolhimento, fortalecimento e autoconhecimento. O grupo funciona como um portal para mulheres que desejam ocupar a música e a percussão com protagonismo e consciência cultural.
Além das apresentações, o Agbelas desenvolve ações sociais, como oficinas gratuitas de confecção de instrumentos voltadas principalmente para mulheres em situação de vulnerabilidade. As iniciativas reforçam o compromisso com inclusão, autonomia e valorização da cultura afro-brasileira.
A estreia no Rio marca não apenas uma apresentação, mas a expansão de um movimento que une arte, ancestralidade e protagonismo feminino.

