Jardim vertical de 20 metros vai ajudar a regular microclima em Goiânia

Jardim vertical de mais de 20 metros no Setor Marista quer reduzir calor, melhorar a umidade do ar e mudar a relação entre prédios e natureza na capital

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Jardim vertical de 20 metros vai ajudar a regular microclima em Goiânia

Goiânia deve receber um jardim vertical com mais de 20 metros de altura e aproximadamente 74 metros de comprimento, integrado a um novo empreendimento imobiliário no Setor Marista. A proposta é que a estrutura vegetal contribua para a regulação do microclima local, ajudando a reduzir a temperatura do entorno e a aumentar a umidade do ar em uma das regiões mais adensadas da capital.

O projeto faz parte do Complexo Promenade, que inclui uma área residencial chamada Bioma Wellness Life. Diferente de soluções paisagísticas apenas decorativas, o jardim vertical foi concebido com função ambiental. A vegetação instalada na fachada atua como barreira contra a radiação solar direta, diminuindo o aquecimento das superfícies do edifício. Com menos calor acumulado nas estruturas, há menor liberação de calor para o ambiente ao redor, o que pode suavizar a sensação térmica nas imediações.

Outro mecanismo importante é a evapotranspiração das plantas, processo natural em que a vegetação libera vapor de água para a atmosfera. Esse efeito contribui para elevar a umidade relativa do ar em escala local, o que é especialmente relevante em Goiânia durante os períodos de estiagem prolongada, quando os índices de umidade frequentemente atingem níveis críticos.

Especialistas na área ambiental apontam ainda que superfícies vegetais ajudam a reter parte de partículas poluentes presentes no ar, muitas delas oriundas da queima de combustíveis fósseis. Embora o impacto não seja suficiente para resolver isoladamente problemas de poluição urbana, a presença de grandes áreas verdes incorporadas às edificações pode colaborar para melhorar a qualidade ambiental do entorno imediato.

Pesquisadores destacam, no entanto, que a melhoria do microclima urbano depende de um conjunto de fatores. A presença de árvores nas calçadas, áreas permeáveis, praças, sombreamento viário e redução de superfícies que acumulam calor são medidas complementares. Nesse contexto, o jardim vertical é visto como uma ação positiva, mas que ganha mais eficácia quando integrada a um planejamento urbano mais amplo e voltado à infraestrutura verde.

Além do aspecto ambiental, o empreendimento adota conceitos de design sensorial e neuroarquitetura, com foco em conforto e bem estar. A área residencial prevê espaços destinados ao relaxamento e ao cuidado com a saúde física e mental, como spa, salas de massagem, ambientes de yoga e áreas de descompressão. A presença da vegetação é tratada também como elemento que influencia a experiência dos moradores, associando natureza a qualidade de vida em meio ao adensamento urbano.

O complexo inclui ainda áreas de serviços e conveniência, com proposta de estimular a realização de atividades cotidianas a curta distância. A redução de deslocamentos motorizados é apresentada como um dos benefícios indiretos do modelo, com potencial para diminuir emissões e pressão sobre o sistema viário.

A implantação de um jardim vertical dessa escala envolve desafios técnicos relevantes, como sistemas de irrigação eficientes, drenagem adequada, escolha criteriosa das espécies e manutenção permanente. O desempenho ambiental da estrutura ao longo do tempo depende diretamente desses fatores, além da adaptação das plantas às condições climáticas locais, marcadas por alta insolação e períodos de seca.

Mesmo com essas exigências, iniciativas desse porte indicam uma mudança gradual na forma como grandes empreendimentos incorporam soluções baseadas na natureza. Ao levar vegetação para as fachadas em escala significativa, o projeto reforça a discussão sobre o papel da arquitetura na mitigação de impactos ambientais e na construção de cidades mais resilientes às variações climáticas.

O jardim vertical não resolve sozinho os desafios térmicos de Goiânia, mas representa uma contribuição concreta para o debate sobre sustentabilidade urbana e para a adoção de estratégias que aproximem o ambiente construído dos processos naturais.

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