Goiânia volta ao centro do motociclismo mundial. Entre os dias 20 e 22 de março, a capital goiana recebe o Campeonato Mundial de MotoGP no Autódromo Internacional Ayrton Senna, marcando o retorno da categoria ao estado após quase quatro décadas. Mais do que velocidade na pista, o evento acelera mudanças urbanas, ativa a economia e projeta Goiás para o cenário internacional do esporte e do turismo.
A expectativa é de um público superior a 150 mil pessoas ao longo dos três dias de competição. Segundo levantamento do Instituto Mauro Borges (IMB), o MotoGP deve injetar mais de R$ 868 milhões na economia goiana, principalmente por meio do trade turístico. A estimativa considera um gasto médio de R$ 3.180 por visitante, sendo 12% do público estrangeiro e 32% de outros estados. Apenas em arrecadação de impostos como ICMS e ISS, o Estado prevê mais de R$ 130 milhões.
Os setores de transporte, hotelaria, alimentação e comércio já sentem os efeitos. Para o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em Goiás (Abrasel-GO), Danillo Ramos, o evento é uma oportunidade estratégica. Ele avalia que o MotoGP impulsiona faturamento, gera empregos e amplia a visibilidade internacional de Goiânia.
Segundo Ramos, a gastronomia regional foi um diferencial competitivo para a escolha da capital como sede. Pratos típicos, o modelo de bares com mesas nas calçadas e o custo acessível chamam a atenção do público estrangeiro. “Para nós, comer pamonha, jantinha ou um dogão é rotina. Para quem vem de fora, é uma experiência cultural”, destaca.
De olho no futuro, a Abrasel articula, junto à Fecomércio e ao Senac, cursos de inglês e espanhol para empresários e equipes, entendendo que o MotoGP não será um evento isolado. A entidade também incentiva o uso de ferramentas digitais de tradução e a adaptação de cardápios para ampliar vendas e melhorar o atendimento.
Na hotelaria, o cenário é de ocupação elevada. O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis em Goiás (Abih-GO), Charleston Pimentel, afirma que a taxa de ocupação já alcança 70% em um período tradicionalmente de baixa demanda. De acordo com o censo hoteleiro de 2022, isso representa mais de 13 mil reservas dos 18.696 leitos disponíveis na capital, com expectativa de lotação máxima durante o evento.
A alta demanda também impacta cidades vizinhas como Aparecida de Goiânia, Anápolis, Trindade, Pirenópolis, Caldas Novas e Bela Vista, que já registram bloqueios de vendas. “Goiânia sozinha não comporta o volume de visitantes. Toda a região será beneficiada”, avalia Pimentel.
Como medida preventiva, Prefeitura de Goiânia e Governo de Goiás devem realizar um mutirão de vacinação voltado aos profissionais da hotelaria, visando a segurança sanitária diante da chegada de turistas internacionais.
Para o dirigente, esta primeira edição funciona como um grande teste. Ele aposta no cumprimento do contrato de cinco anos e na possibilidade de prorrogação, transformando Goiânia em uma vitrine permanente do esporte, a exemplo do que São Paulo representa para a Fórmula 1.
Do ponto de vista da infraestrutura, o governo estadual articula soluções para receber o público. Uma área de 140 mil metros quadrados na GO-020 será estruturada para motorhomes, além do uso do estacionamento sul do Estádio Serra Dourada. O Plano Operacional de Transporte e Trânsito prevê linhas exclusivas de ônibus, intervenções viárias e ajustes nos pontos de embarque e desembarque.
Segundo a coordenadora do Eixo Cidades para o MotoGP, Thaís Moraes, o planejamento envolve cooperação entre Estado e municípios, com estratégias integradas de mobilidade e turismo. Desde 2025, planos locais vêm sendo elaborados para atender às especificidades de cada cidade, inclusive fora da Região Metropolitana, alcançando polos turísticos estratégicos de Goiás.
O MotoGP não é apenas um evento esportivo. É um divisor de águas que conecta infraestrutura, economia, turismo e imagem institucional. Goiânia acelera, olha para frente e assume um novo lugar no circuito global.


