Uma das nevascas mais severas já registradas no extremo leste da Rússia está transformando a Península de Kamchatka em um cenário de colapso urbano e risco constante. Desde o início de janeiro, uma sequência de tempestades despejou volumes excepcionais de neve sobre cidades inteiras, com acumulados que passam de dois metros e, em áreas pontuais, se aproximam de três metros, algo que meteorologistas classificam como evento extremo e raro.
A capital regional, Petropavlovsk Kamchatsky, foi uma das mais afetadas. Ruas desapareceram sob a neve, carros ficaram completamente soterrados e prédios residenciais tiveram entradas bloqueadas. Em alguns bairros, moradores precisaram sair de casa por janelas ou por túneis improvisados cavados na neve, enquanto equipes de resgate tentavam restabelecer acessos mínimos.
As autoridades locais decretaram estado de emergência para acelerar a remoção da neve e garantir a circulação de ambulâncias e veículos de resgate. Escolas foram fechadas, o transporte público sofreu interrupções prolongadas e o fornecimento de alimentos e serviços básicos passou a enfrentar atrasos, aumentando a sensação de isolamento da população.
O peso da neve acumulada sobre telhados elevou drasticamente o risco de desabamentos. Pelo menos duas pessoas idosas morreram após serem atingidas por massas de neve que se desprenderam de edifícios, o que levou as autoridades a emitirem alertas rigorosos para que a população evite circular próximo a construções e não suba em telhados para remoção por conta própria.
Especialistas afirmam que a combinação de sucessivas frentes frias, umidade intensa vinda do Pacífico e temperaturas persistentemente baixas criou as condições para um evento fora do padrão histórico recente. Com a previsão de novos episódios de neve e ventos fortes, o risco continua elevado, e a região segue em alerta máximo enquanto tenta lidar com uma crise que expõe os limites da infraestrutura urbana diante de eventos climáticos extremos.


