O ar que se respira em diversas regiões do Brasil apresenta, em muitas ocasiões, níveis de poluição que superam os limites estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Essa constatação é revelada no Relatório Anual da Qualidade do Ar 2025, publicado recentemente pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.
Esta edição do documento introduz pela primeira vez os padrões da resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que atualizou as diretrizes para os limites permitidos no Brasil. Essa mudança inclui etapas de transição para adequar os padrões nacionais aos da OMS.
A análise dos dados referentes a 2024 destaca a presença de diversos poluentes, como o ozônio, monóxido de carbono, dióxido de nitrogênio e dióxido de enxofre. Apenas o monóxido de carbono e o dióxido de nitrogênio mantiveram-se, em sua maioria, dentro dos limites estabelecidos pelo Conama, os quais são gerados principalmente pela combustão de combustíveis fósseis, como gasolina e diesel, além de madeira e carvão.
Adalberto Maluf, Secretário Nacional de Meio Ambiente Urbano, Recursos Hídricos e Qualidade Ambiental, enfatiza a relevância desse novo monitoramento para a saúde pública e a preservação do meio ambiente. Ele afirma que os dados evidenciam a urgente necessidade de ações contra a poluição.
“A qualidade do ar é fundamental para a saúde coletiva e a proteção dos ecossistemas. O relatório revela ultrapassagens preocupantes em várias cidades e estados, conforme a nova resolução do Conama, nº 506, aprovada em 2025, que revisitou os padrões de emissão de poluentes,” afirma Maluf.
O levantamento aponta um aumento na concentração de ozônio, um gás que contribui para o efeito estufa e é também um poluente prejudicial. As medições indicam uma média de 11% de superação em 2024, com os maiores índices registrados nas estações monitoradoras do Rio de Janeiro, Espírito Santo e Bahia.
Por outro lado, o material particulado fino, que contém micropartículas nocivas às vias respiratórias, apresentou uma tendência de queda, com uma redução de 8,4% nas estações de São Paulo.
Adalberto Maluf também salienta que a nova análise, que integra esforços de órgãos estaduais e cria um banco de dados nacional, permite uma identificação mais acurada das ultrapassagens dos padrões de qualidade do ar. Ele menciona iniciativas em curso para melhorar a situação.
“Essas ações se somam à resolução do Pronar, o Programa Nacional de Qualidade do Ar, que será discutido no Conama, além de uma nova resolução sobre crises de poluição urbana. O Brasil está desenvolvendo um plano nacional de ação que visa um ar limpo e um clima estável, organizando estratégias para o plano climático e o de qualidade do ar,” acrescenta o secretário.
Atualmente, o Brasil opera 570 estações de monitoramento da qualidade do ar, um crescimento de 91 unidades, ou seja, 19%, em comparação a 2023, e de 175 unidades, equivalente a 44%, em relação a 2022.
