Monte Verde, um dos mais populares destinos de Minas Gerais durante as férias de inverno no Brasil, enfrenta um dilema com tarifas excessivas em sua alta temporada, nos meses de maio a agosto. Já na baixa demanda do verão, o preço de hospedagem chega a R$ 200,00 por casal, uma prática considerada excessiva por muitos turistas.
O distrito carece de atrativos municipais voltados ao turismo, com as poucas opções de atividades externas sendo oferecidas por empreendimentos privados. Atrações como o Parque Oschin, Bar do Gelo, Patinação no Gelo e passeios a cavalo estão concentradas principalmente na rua principal, onde também se encontram muitas lojinhas.
A crítica à exploração financeira dos visitantes é recorrente, especialmente em contextos de alta demanda, como na última temporada de inverno, que recebeu cerca de 350 mil pessoas. Embora Monte Verde tenha se firmado como um dos principais destinos de frio do Brasil, essa popularidade traz desafios de infraestrutura e gestão.
As principais críticas incluem:
- Tarifas elevadas: Muitos estabelecimentos em Monte Verde praticam preços considerados altos em relação à qualidade dos serviços, especialmente no centro.
- Privatização de atrações: Trilhas reconhecidas, como a da Pedra Redonda, exigem pagamento de ingressos sob responsabilidade da MOVE (Agência de Desenvolvimento de Monte Verde), o que gerou descontentamento entre os turistas.
- Infraestrutura deficiente: Calçadas mal conservadas e ruas em condições precárias são apontadas como problemas frequentes.
- Atendimento inadequado: Relatos de turistas indicam que funcionários de atrações privatizadas carecem de treinamento para lidar com o turismo de massa.
No entanto, Monte Verde busca inovar e diversificar suas atrações. A instalação de totens interativos e a promoção de eventos, como o Natal Cultural e o Bike Fest, visam atrair visitantes durante todo o ano. No entanto, o calendário ainda é insuficiente, com apenas quatro meses de alta temporada e seis meses de baixa.
O reconhecimento pela hospitalidade do destino se contrapõe às críticas sobre infraestrutura e exploração econômica. Embora a gastronomia e o turismo de aventura sejam seus pontos fortes, a combinação de tarifas elevadas e serviços insuficientes levanta a sensação de que o visitante é mais um caixa do que um cliente.
A promessa de instalação de banheiros públicos e construção de casas populares para a população local não se concretizou. Obras recentes, como o Natal das Montanhas, foram bem recebidas, mas a falta de estrutura adequada durante eventos expõe os visitantes às intempéries.
A ausência de banheiros públicos tem gerado desconforto entre os turistas, que muitas vezes se veem obrigados a recorrer à natureza. Um banheiro público em construção foi inaugurado, mas continua inacessível, gerando descontentamento.
Embora Monte Verde cobre altas tarifas de entrada para ônibus e excursões, a falta de serviços adequados impacta negativamente a experiência do visitante. O aumento de até 185% nas tarifas de visitação desde o início do ano resultou na queda de mais de 350% nos passeios de bate e volta, prejudicando o comércio local.
Na fase de campanha, o atual prefeito prometeu a construção de casas populares para amenizar a situação de vulnerabilidade habitacional, mas até o momento nada foi realizado. A maioria dos trabalhadores do setor turístico reside em condições precárias nas cidades vizinhas, enfrentando longos deslocamentos diários.
A ampliação do único hospital da região está parada há mais de oito meses, gerando preocupações sobre a saúde pública local. A falta de medidas efetivas para melhorar a infraestrutura impacta diretamente a qualidade de vida dos moradores e a experiência dos visitantes.
Diante deste cenário, o desafio de equilibrar o crescimento turístico com a infraestrutura e serviços adequados permanece. Se a administração local continuar a priorizar arrecadação em detrimento do bem-estar social e do planejamento turístico, o futuro de Monte Verde pode ser comprometido.



