Bloco Mulheres Rodadas no Rio de Janeiro destaca violência contra a mulher durante desfile de carnaval

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Bloco Mulheres Rodadas no Rio de Janeiro destaca violência contra a mulher durante desfile de carnaval

A farmacêutica Luciana Peres, de 46 anos, se destacou no carnaval ao desfilar com uma fantasia simbólica que abordou a violência doméstica e o feminicídio. Com uma marca de tiro elaborada em pintura corporal e um conjunto de eletrochoques representados por lantejoulas prateadas em sua perna de pau, ela participou do bloco Mulheres Rodadas na zona Sul do Rio de Janeiro, no dia 18 de fevereiro de 2026. Sua fantasia homenageou Maria da Penha Fernandes, que em 1983 sobreviveu a tentativas de assassinato.

Maria da Penha se tornou um ícone no combate à violência contra a mulher no Brasil, sendo a autora da lei que leva seu nome, sancionada em 2006. Este ano, Luciana enfatizou a importância da luta contra o feminicídio, refletindo sobre os 20 anos da lei que serão celebrados em 2026. Ela destacou que, no último ano, o Brasil registrou um número alarmante de feminicídios.

“Este ano, não consigo imaginar um carnaval sem uma mensagem clara contra o feminicídio. Hoje represento Maria da Penha e a luta pela vida das mulheres, especialmente considerando os 20 anos da sua lei em 2026”, afirmou Luciana.

Desde sua criação, o bloco Mulheres Rodadas tem se aprofundado nos temas de assédio e violência doméstica por meio de danças, músicas e representações artísticas. Durante o desfile, a música Geni e o Zepelim, de Chico Buarque, foi utilizada para simular a violência transfóbica, um problema que coloca o Brasil como um dos países com as maiores taxas de assassinato de transexuais.

Os trajes de carnaval incorporaram tintas vermelhas e coreografias expressivas que refletiam agressões, ao mesmo tempo em que outras apresentações destacaram a solidariedade feminina. Para garantir que a mensagem de empoderamento das mulheres fosse efetiva, a escolha das músicas do bloco foi criteriosa, conforme explicou Simone Ferreira, regente e coordenadora de percussão.

“Nosso repertório é sempre focado em intérpretes e compositoras mulheres, garantindo temas que falem sobre a luta feminina”, detalhou.

Entre as músicas geridas estavam clássicos como Abre Alas, de Chiquinha Gonzaga, e hits contemporâneos como Vai, Malandra, da cantora Anitta, e Ama, Sofre e Chora, de Pablo Vittar, além da famosa Toxic, de Britney Spears.

Os participantes do bloco, como o folião Raul Santiago, ressaltaram a importância da participação dos homens para a erradicação da violência de gênero.

“Os homens precisam se unir e adotar uma postura antimachista. A mudança começa pela conscientização masculina sobre igualdade social”, disse Raul.

A coordenadora do bloco, Renata Rodrigues, enfatizou que, mesmo após uma década de existência, o tema da violência contra as mulheres continua relevante.

“Infelizmente, a questão da violência contra a mulher ainda é uma realidade em nossa sociedade”, afirmou Renata.

Ela também cobrou um maior envolvimento do poder público e do setor privado na luta contra essa problemática.

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