A MotoGP se despedirá do icônico circuito de Phillip Island ao final da temporada de 2026, conforme anunciou o governo regional de Victoria. Após a recusa em transferir a corrida para o famoso Albert Park, onde ocorre a etapa da Fórmula 1, o governo indicou que as negociações com o grupo MotoGP Sports Entertainment, anteriormente conhecido como Dorna, não teriam êxito em manter a competição na ilha.
Em uma declaração emitida no dia 17 de outubro, as autoridades de Victoria confirmaram que, embora tenham proposto um aumento no financiamento para a MotoGP, essa medida não foi suficiente para atender às demandas da categoria. O incentivo financeiro não conseguiu eliminar as queixas sobre a infraestrutura e o acesso ao circuito, que se localiza a cerca de 1h30 de Melbourne.
A relação entre a MotoGP e Phillip Island, que vigora desde anos passados, chega ao fim por conta de um cenário desfavorável, acentuado pelos baixos índices de público. No ano passado, a corrida teve uma das menores audiências, com menos de 100 mil espectadores, refletindo um descontentamento em relação às condições do traçado e às instalações.
O ministro de esportes e eventos de Victoria, Steve Dimopoulos, mencionou que a recusa em vender o circuito foi uma das razões para a saída da categoria. “Atendemos a todos os pedidos de municipalidades e fomos além em muitos aspectos. Entretanto, a venda do circuito não era uma opção”, afirmou Dimopoulos, acrescentando que já possui informações sobre o novo local da corrida, mas preferiu não divulgá-las de imediato.
A prefeita de Bass Coast, Rochelle Halstead, expressou sua decepção pela perda do evento automobilístico e enfatizou a necessidade de o governo local buscar alternativas que minimizem o impacto econômico gerado pela ausência da MotoGP. Halstead ressaltou que podem ser considerados eventos de diferentes naturezas, como arte ou música, para colocar Phillip Island novamente em destaque.
Conforme um estudo da Ernst & Young, o evento de 2023 proporcionou um impacto econômico de cerca de $ 54,6 milhões, com gastos diretos de aproximadamente $ 29,4 milhões na região de Bass Coast, gerando 284 empregos formais. A pesquisa sublinha que a continuidade do evento é crucial para assegurar esses benefícios às comunidades locais.
A representante do governo federal para a região de Bass Coast, Mary Aldred, considera a saída da MotoGP uma “tragédia” e se comprometeu a investigar a situação em colaboração com diversas pastas do governo, em busca de soluções para manter eventos de grande porte na área. “A infraestrutura existe, e seria lamentável ver esta corrida ser levada para outro lugar”, declarou Aldred.
Rumores surgem indicando que o GP da Austrália pode migrar para o circuito de rua de Adelaide, que recebeu a F1 nos anos 90. No entanto, a categoria tradicionalmente evita circuitos urbanos devido a exigências de segurança, embora tenha admitido a possibilidade, desde que as adequações necessárias sejam feitas.
Adicionalmente, há notícias que sugerem que o Mundial de Superbike pode seguir o mesmo caminho, transferindo suas provas para The Bend, que está a cerca de 100 quilômetros da capital Adelaide. Isso gera ainda mais incertezas sobre o futuro do motociclismo na região. A MotoGP retornará à sua temporada com testes programados para os dias 21 e 22 de fevereiro em Buriram, na Tailândia. A cobertura detalhada de todas as atividades da categoria estará disponível em diversos meios de comunicação especializados.
Foto: Michelin
Da largada aos bastidores, a MotoGP passa pelo ANP

