Uma denúncia encaminhada ao Ministério Público expõe possíveis falhas na atuação de agentes comunitários de saúde em Aparecida de Goiânia. O caso veio a público após o jornalista Paulo Lica relatar que teve atendimento negado mesmo estando com a perna quebrada e necessitando de assistência domiciliar vinculada à Unidade Básica de Saúde de sua região.
Segundo Paulo Lica, após sofrer a fratura, ele solicitou a visita da agente comunitária responsável por sua área para atualizar o cadastro do Cartão SUS, procedimento necessário para remarcar o retorno médico e dar continuidade ao tratamento. De acordo com o relato, a agente negou o atendimento e orientou que ele se deslocasse até a UBS para resolver a situação.
Mesmo com dificuldade de locomoção por estar com a perna quebrada, o jornalista afirma que precisou ir pessoalmente à unidade de saúde para atualizar o cadastro e conseguir o agendamento médico. Para ele, a negativa contraria a função do agente comunitário, que inclui o atendimento domiciliar a pessoas com mobilidade reduzida.
Após o episódio, Paulo Lica gravou vídeos e repassou informações a veículos de comunicação, relatando não apenas o caso pessoal, mas também o que classifica como um problema mais amplo no serviço prestado por agentes comunitários de saúde no município.
Entre os pontos denunciados estão a falta de visitas domiciliares efetivas. Segundo ele, há relatos de agentes que apenas passam rapidamente nas residências para coletar assinaturas, sem realizar acompanhamento, orientação ou escuta da população, utilizando essas assinaturas como comprovação de visitas periódicas.
Outro aspecto citado na denúncia é o suposto descumprimento da jornada de trabalho. Paulo Lica afirma que existem denúncias de agentes que registrariam o ponto de entrada nas unidades de saúde e retornariam para casa, voltando apenas no fim do expediente para registrar o ponto de saída, sem atender a população durante o dia.
O jornalista reforça que os agentes comunitários exercem papel essencial dentro do Sistema Único de Saúde, especialmente no acompanhamento de idosos, pessoas acamadas, pacientes com deficiência e moradores em situação de vulnerabilidade. Para ele, falhas nesse serviço impactam diretamente quem mais depende da atenção básica.
A denúncia foi formalizada no Ministério Público, que poderá instaurar procedimento para apurar os fatos, solicitar registros de ponto, relatórios de visitas domiciliares e ouvir os envolvidos. Até o momento, não houve posicionamento oficial da Secretaria Municipal de Saúde de Aparecida de Goiânia sobre o caso.
O episódio reacende o debate sobre fiscalização, transparência e qualidade do atendimento na atenção básica do município, setor considerado fundamental para o funcionamento do sistema público de saúde e para o cuidado direto com a população



