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Pão, café e pão de queijo ficam mais caros no Distrito Federal e mudam a rotina do café da manhã

Alta dos preços em 2025 força consumidores a reduzir consumo e leva estabelecimentos a rever estratégias

Rose Oliveira
Publicado 12 de janeiro de 2026
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Pão, café e pão de queijo ficam mais caros no Distrito Federal e mudam a rotina do café da manhã
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O tradicional café da manhã do brasiliense ficou mais pesado no bolso em 2025. Itens básicos da mesa diária, como café, pão francês, queijo, ovo e pão de queijo, registraram aumento significativo de preços no Distrito Federal, segundo dados do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No acumulado do ano, o destaque foi o café moído, que apresentou inflação de 27,47%, impactando diretamente um dos hábitos mais enraizados da população. O pão de queijo teve alta de 9,49%, seguido pelo ovo de galinha (4,48%), pão francês (4,03%) e queijo (2,39%). O encarecimento desses produtos alterou comportamentos tanto de consumidores quanto de comerciantes.

Diante da elevação dos preços, muitas famílias passaram a adotar estratégias para manter o consumo sem comprometer o orçamento doméstico. A professora aposentada Luzineide Evangelista relata que o aumento do café foi o que mais pesou. Acostumada a preparar duas garrafas por dia, ela reduziu a quantidade para evitar desperdício.

Segundo ela, o café continua sendo indispensável, mas agora é feito com mais cautela. A segunda garrafa só é preparada quando as filhas visitam a casa. Para Luzineide, a alternativa encontrada foi diminuir a quantidade, sem abrir mão completamente do hábito.

A analista de sistemas Williane Marques compartilha da mesma percepção. Para ela, o café da manhã é a principal refeição do dia, mas os preços praticados tanto nos mercados quanto nas padarias exigiram mudança de postura. Antes, ela preparava café em maior quantidade para deixar pronto ao longo do dia. Agora, faz apenas o necessário para o consumo imediato, evitando desperdício e gastos extras.

Nem todos, porém, reduziram o consumo. Cliente fiel de uma padaria em Taguatinga há mais de três décadas, o policial civil aposentado Eurípedes Barbosa afirma que manteve os mesmos hábitos, apesar do impacto financeiro. Para ele, o café, o pão e o pão de queijo seguem sendo essenciais no início do dia, mesmo exigindo sacrifícios no orçamento.

Do lado dos estabelecimentos, a situação também é desafiadora. O empresário Reginaldo Biângulo, proprietário de uma padaria no Distrito Federal, explica que o aumento dos preços dos insumos foi sentido ao longo de todo o ano, especialmente nos valores cobrados pelos fornecedores.

Segundo ele, em 2025 houve esforço para segurar os reajustes e evitar a perda de clientes. No entanto, a pressão dos custos tornou inevitável o repasse parcial dos aumentos neste ano. Reginaldo afirma que o reajuste é sempre uma decisão difícil, pois impacta diretamente o consumo, mas reconhece que os próprios clientes percebem a alta generalizada dos preços ao fazer compras no mercado.

Especialistas explicam que a variação nos preços dos alimentos faz parte de um movimento esperado ao longo do ano. De acordo com o economista William Baghdassarian, do Ibmec, os valores sofrem influência direta da safra, do clima e do mercado internacional.

No caso do café, o cenário externo teve peso determinante. A demanda internacional elevada, aliada a uma oferta que não conseguiu reagir com a mesma velocidade, provocou uma disparada nos preços, especialmente do café moído. Esse desequilíbrio fez com que o produto tivesse uma inflação muito superior à de outros alimentos básicos.

O encarecimento do café da manhã reflete um contexto mais amplo de pressão sobre o custo de vida e evidencia como oscilações do mercado global e da produção impactam diretamente o cotidiano das famílias. Entre ajustes no consumo e esforços para manter clientes, consumidores e comerciantes seguem tentando equilibrar tradição, necessidade e orçamento.

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