Com o tema “Água e Clima no Brasil das Nascentes”, festival reúne 38 produções audiovisuais e transforma o Cerrado e seus recursos hídricos em foco do debate ambiental até 21 de junho, na cidade de Goiás.
A cidade de Goiás, tombada pela UNESCO como Patrimônio Histórico da Humanidade, dá início nesta terça-feira (16/06) à 27ª edição do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica). O evento, que ocorre até o dia 21 de junho, destaca a relevância da preservação das nascentes e as consequências das mudanças climáticas, sob o lema “Água e Clima no Brasil das Nascentes”.
A abertura do festival será marcada pela exibição do filme A Curva do Rio, de Kassio Pires, no Cine Teatro São Joaquim>, às 19h, seguido por um show da cantora Lourany Cruz às 22h30 no Palco do Coreto. As tradicionais mostras competitivas começam na quarta-feira (17/06) e se estendem até o sábado (20/06). Desde sua fundação em 1999, o Fica é promovido pelo Governo de Goiás, em parceria com a Universidade Federal de Goiás (UFG), reunindo cineastas, acadêmicos e o público para promover diálogos sobre o meio ambiente.
O festival também reflete a importância do Cerrado, conhecido como o berço das águas, que abriga nascentes que alimentam diversas bacias hidrográficas. O desmatamento, as queimadas e o uso irresponsável da terra ameaçam esse patrimônio natural. O Fica pretende usar o cinema como um poderoso instrumento de mobilização e conscientização ambiental, com investimento total de R$ 6,1 milhões nesta edição.
A programação inclui 38 produções audiovisuais de sete países: Brasil, Canadá, Polônia, Áustria, Irã, Colômbia e Bélgica, com o Brasil liderando a participação com 31 obras e Goiás apresentando 19 produções. As mostras competitivas são divididas em:
- Mostra Internacional Washington Novaes – incorpora longas e curtas-metragens de diversos continentes;
- Mostra Cinema Indígena e Povos Tradicionais – voltada a narrativas de territórios e ancestralidade;
- Mostra Cinema Goiano – foca na produção local;
- Mostra Becos da Minha Terra – destacando obras relacionadas à cidade de Goiás.
As premiações variam de R$ 10 mil a R$ 35 mil, sendo o Prêmio Cora Coralina de R$ 35 mil destinado ao melhor longa-metragem da Mostra Competitiva Internacional. Outras categorias técnicas como direção de fotografia, roteiro e montagem também serão reconhecidas com prêmios similares.
Além das exibições, o festival promete uma diversificada programação cultural gratuita, incluindo shows de artistas como Xande de Pilares, Vanessa da Mata e Marcelo Falcão. O evento ainda possibilitará a transmissão da partida entre Brasil e Haiti pela Copa do Mundo, unificando a cultura esportiva e musical na Praça de Eventos.
A edição deste ano introduzirá o Bike Cine, uma experiência de cinema ao ar livre que utiliza energia gerada por bicicletas para a projeção dos filmes. A capacitação profissional terá um papel central, com 20 oficinas gratuitas no Colégio Sant’Ana, abordando temas que vão de operação de drones a comunicação ambiental.
Os debates ocuparão um espaço importante no Fórum Horizontes, com 24 atividades programadas sobre mudanças climáticas, biodiversidade e direitos indígenas. A chef e ativista Bela Gil é uma das convidadas, participando de uma roda de conversa no sábado (20/06).
Outra novidade deste ano é a Mostra ECOA, que exibirá documentários feitos por estudantes da rede pública. O festival também homenageará figuras influentes da cultura goiana, como o artista visual Dalton Paula e o cineasta Paulo Coelho Nunes, in memoriam.
Um dos destaques será a projeção mapeada de VJ Paulinho Pessoa, que transformará o centro histórico da cidade em uma grande tela, ligando a arte ao tema “Água e Clima no Brasil das Nascentes”.
Segundo a secretária de Estado da Cultura, Yara Nunes, o Fica se estabeleceu como um importante espaço de intercâmbio entre saberes e experiências, promovendo a reflexão necessária sobre o futuro do planeta. O encerramento do festival será no dia 21 de junho, com a cerimônia de premiação e reapresentação dos filmes vencedores.
O Fica é um dos maiores festivais de cinema ambiental globalmente, reunindo talentos e audiências de várias partes do mundo, consolidando-se como um vetor de reflexão e ação para a conservação ambiental.



