As Taxas de Proteção Ambiental (TPA) estão se tornando comuns em destinos turísticos do Brasil. Em Monte Verde, distrito de Camanducaia, a nova taxa será implementada a partir de 1º de julho de 2026. A avaliação é de que a medida visa mitigar o impacto do grande fluxo de visitantes. No entanto, as tarifas variam conforme o tipo de veículo, com valores a partir de R$ 4,60 para motos até R$ 73,60 para ônibus. Essa cobrança será feita por meio de um sistema de leitura automática de placas, com pagamento online disponível.
De acordo com a prefeitura, a arrecadação será integralmente destinada a Monte Verde, dividindo-se entre 35% para a gestão de resíduos sólidos e 65% para manutenção de áreas públicas, parques e iniciativas de turismo sustentável. No entanto, a eficácia dessa medida gera questionamentos, uma vez que cidades como Ubatuba e Ilhabela, que também implementaram a TPA, não observaram melhorias perceptíveis na recuperação ambiental. As vozes de moradores e turistas indicam que a situação continua a mesma.
Um aspecto que merece atenção é que outros distritos da região, como São Mateus e Bom Jardim, que também oferecem atrativos turísticos, não serão submetidos a essa taxa. Isso levanta discussões sobre a equidade da cobrança e seus possíveis impactos sobre o turismo em áreas não taxadas.
Outro ponto a ser considerado é a falta de transparência sobre a empresa responsável pela gestão ambiental. Não houve divulgação da licitação e informações indicam que Camanducaia pode ceder cerca de R$ 700.000,00 para iniciar a gestão da TPA. Esse cenário gerou preocupação entre vereadores, que solicitaram olhar mais atento ao processo. A mobilização de empresários locais poderá influenciar a situação, dado que as melhorias na infraestrutura de Monte Verde, incluindo reforma do portal e limpeza de trilhas, foram resultados de pressão da iniciativa privada.
Enquanto isso, a MOVE, o CONTUR e uma parte significativa dos vereadores parecem negligenciar as necessidades da comunidade local, que contribui substancialmente para a arrecadação de impostos de Camanducaia. Se o intuito da taxa é realmente preservar o meio ambiente, deveria abranger todos os distritos da cidade, independente da quantidade de estabelecimentos turísticos.
Outro aspecto preocupante é a possível diminuição do fluxo turístico durante a baixa temporada. A nova cobrança pode resultar em um afastamento ainda maior de visitantes em meses de menor movimento, especialmente a partir de setembro, quando a região já enfrenta desafios de baixa procura.
A reflexão sobre a implementação da TPA em Monte Verde e suas consequências no turismo e no meio ambiente se torna cada vez mais necessária. É fundamental que as autoridades locais considerem as reais necessidades da comunidade e dos visitantes na construção de soluções sustentáveis.

