A temporada de 2026 da MotoGP traz alterações significativas no regulamento, com foco no congelamento dos motores, enquanto se aguarda as mudanças maiores previstas para 2027. A classe mais prestigiosa do Mundial de Motovelocidade optou por não realizar modificações drásticas, promovendo, ao invés disso, uma abordagem mais conservadora visando a estabilidade.
Uma das principais mudanças para 2026 é a decisão da Comissão de GP, composta por representantes da FIM (Federação Internacional de Motociclismo), da MotoGP Sports Entertainment (antes conhecida como Dorna), da IRTA (Associação Internacional das Equipes de Corrida) e da MSMA (Associação das Fábricas de Motocicletas Esportivas), de congelar a evolução dos motores entre 2025 e 2026. Essa medida tem como objetivo reduzir custos e promover uma maior paridade entre as equipes, principalmente considerando que muitas já estão focadas no desenvolvimento dos motores de 850cc, que entrarão em vigor em 2027.
As fábricas que estiverem nos rankings A, B e C ao fim de 2024, como Ducati, Aprilia e KTM, utilizarão os motores já homologados no início da última temporada. A equipe Honda, embora tenha começado em nível D, conseguiu migrar para o grupo C, permitindo que eles desenvolvessem seu motor RC213V em 2025, mas que agora precisará homologar a unidade antes da primeira corrida de 2026, o que significa que esse motor não é necessariamente o mesmo utilizado no ano anterior.
A Yamaha, por sua vez, continua no grupo D e, portanto, não está sujeita a esse congelamento, podendo prosseguir com os desenvolvimentos do motor YZR-M1.
Além disso, o regulamento estipula que as fábricas dos grupos A, B e C terão a liberdade de oferecer diferentes especificações de motor homologadas em 2025 para suas equipes e pilotos. Por exemplo, a Ducati poderá disponibilizar tanto o motor da GP24, utilizado anteriormente por Álex Márquez, Franco Morbidelli e Fermín Aldeguer, quanto o mais recente da GP25, que foi pilotado por Marc Márquez, Francesco Bagnaia e Fabio Di Giannantonio.
O código esportivo também recebeu alterações, particularmente no que diz respeito ao procedimento a ser seguido quando um motor falha, seja durante os treinos ou corridas. A nova regra estipula que, após uma queda ou falha técnica, a moto deve ser removida para uma área segura, atrás da primeira barreira de proteção, onde os fiscais poderão tentar reiniciar o motor. Pilotos e fiscais são os únicos autorizados a ajudar nesse processo; assistência externa continua sendo proibida.
A FIM comentou que, embora haja potenciais desafios na implementação dessa nova regra, o principal objetivo é a segurança dos fiscais de pista. O regulamento de 2026 também introduz mudanças nas especificações dos pneus, com a Michelin simplificando a alocação de pneus dianteiros, passando de três para apenas duas opções, exceto em algumas corridas onde a incerteza climática é alta.
As equipes recebem um total de 14 pneus dianteiros, enquanto 12 pneus traseiros são disponibilizados, totalizando 22 pneus para cada piloto durante os fins de semana de corrida. Os pilotos que avançam da Q1 para Q2 também têm direito a pneus extras, o que pode ser crucial na busca pela performance ideal.
Outra importante mudança foi a introdução de um período de afastamento obrigatório em casos de diagnóstico ou suspeita de concussão. A partir de 2026, pilotos adultos deverão aguardar um mínimo de dez dias para retornar, enquanto crianças terão um afastamento de 20 dias. Tal medida é um desdobramento do primeiro Medical Summit da FIM, realizado em 2024, e visa aumentar a segurança dos atletas em pista.
A nova temporada da MotoGP começa neste fim de semana com o GP da Tailândia, realizado em Buriram, e promete trazer muitas emoções. O Mundial de Motovelocidade continua a ser um evento de grande destaque, e a FIA está sempre atenta a novas diretrizes e inovações.
Foto: Yamaha
Da largada aos bastidores, a MotoGP passa pelo ANP

