Projeto em Pernambuco resgata a memória das bailarinas dos cassinos entre 1930 e 1950 no Dia Internacional da Dança

2 Leitura mínima
Projeto em Pernambuco resgata a memória das bailarinas dos cassinos entre 1930 e 1950 no Dia Internacional da Dança

Em 29 de abril, o Dia Internacional da Dança celebra não apenas a arte do movimento, mas também a história de mulheres que brilharam nos cassinos pernambucanos entre as décadas de 1930 e 1950. Um projeto inovador, intitulado “Bailarinas em Suspeição: Mulher, Dança e Trabalho nos Cassinos Pernambucanos”, foi lançado para explorar e evidenciar as trajetórias dessas artistas.

Desenvolvido pela artista e pesquisadora Marcela Rabelo, a iniciativa busca dar visibilidade a histórias pouco conhecidas da cena artística do Recife. O projeto abrange uma série de ações, incluindo a publicação de um artigo científico e uma videodança disponível no canal do YouTube @bailarinasemsuspeição. Uma página dedicada, bailarinasemsuspeicao.blogspot.com, serve como um acervo digital, reunindo o artigo, a videodança e outros materiais históricos relevantes.

A pesquisa é fruto de um extenso levantamento documental, utilizando fontes como jornais, revistas e fichas do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social), um órgão da era do Estado Novo e da Ditadura Militar. A equipe conta com a colaboração da pesquisadora Clarice Hoffmann e da antropóloga Selma Albernaz, que já trabalharam no projeto anterior, “Obscuro Fichário dos Artistas Mundanos” (2016).

Cerca de 90 mulheres, tanto brasileiras quanto estrangeiras, foram identificadas nessa investigação, revelando histórias de resistência, estigmas e uma rica produção artística. A pesquisa também critica as condições de trabalho enfrentadas por essas bailarinas nos cassinos de Pernambuco, oferecendo um olhar mais profundo sobre suas vidas e contribuições.

Os documentos encontrados revelam diversas classificações para essas artistas, como bailarina clássica, vedete, sambista, entre outras. Estas categorias eram frequentemente acompanhadas de discursos moralistas e um clima de vigilância que se estendia além dos palcos. Informações do DOPS refletiam um olhar de desconfiança em relação a essas figuras, pautado por aspectos como nacionalidade, tipos de dança, estado civil e mobilidade entre cidades e países.

Compartilhe este artigo
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *