Serro preserva herança de 300 anos na produção artesanal de queijos Minas

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Serro preserva herança de 300 anos na produção artesanal de queijos Minas

A tranquilidade do Serro, uma cidade mineira com aproximadamente 20 mil habitantes, remete a um passado de riqueza e tradição que supera os 300 anos. A historiadora Zara Simões revela que o município se formou a partir da exploração do ouro na região.

“Os indígenas chamavam esta área de Ibitirui, que significa serras dos morros dos ventos frios, nome que inspirou o nome atual do Serro. A primeira descoberta do ouro ocorreu graças a uma mulher negra, Jacinta Siqueira, oriunda da Bahia, que encontrou quatro vinténs de ouro”, conta.

O córrego Quatro Vinténs foi o ponto de origem para a estrutura da cidade. Zara, conhecida carinhosamente como Zarinha, destaca que a chegada dos portugueses trouxe consigo diversas tradições, entre elas, a famosa receita do queijo Minas artesanal.

“O queijo que produzimos aqui tem raízes na receita trazida pelos colonizadores, que utilizam leite cru e pingo. Ele se assemelha ao queijo da região dos Açores e Madeira, pois a técnica de coagulação também se baseava no uso do bucho do animal”, explica.

Com a diminuição da exploração do ouro, a economia local passou a se basear na agricultura. Tropeiros, que transportavam mercadorias em burros e mulas, tornaram-se personagens centrais dessa nova fase econômica. Marcos Felipe, um violeiro local e defensor da tradição tropeirista, fala sobre esse importante legado.

“O tropeirismo teve grande relevância durante o Império e ainda continua presente. No dia 2 de maio, promovemos uma tropeada que reuniu cerca de 220 muares, resgatando essa tradição tão significativa”, afirma.

Durante a tropeada, jumentos cruzam as ruas do Serro em direção ao centro histórico, acompanhados de rezas e canções em homenagem a Santa Rita, padroeira dos tropeiros. Marcos expressa seu orgulho pela forma tradicional de vida que se entrelaça com a produção do queijo e com a cultura local.

“O nosso queijo é feito de maneira artesanal, representando a autenticidade da vida caipira. Para mim, a música caipira é uma forma de retratar essa identidade, que se mantém viva através das canções”, conclui.

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