Uruaçu viveu uma tarde de mobilização e alerta nesta terça-feira (03/02). Profissionais da saúde, agentes de combate a endemias, equipes do SAMU, Corpo de Bombeiros, representantes do Legislativo e lideranças comunitárias se uniram em uma caminhada pelas ruas da cidade com um recado direto: o combate ao mosquito da dengue começa dentro de casa.
A ação foi organizada pela Coordenadoria Municipal de Endemias como uma estratégia de aproximação com a população. A ideia foi simples e eficaz — sair das unidades e ir para as ruas, conversando olho no olho com os moradores sobre atitudes práticas que podem evitar a proliferação do Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya.
De acordo com o coordenador Rogério Fernandes, levantamentos recentes feitos pelas equipes de campo identificaram diversos criadouros espalhados pelo município. O que mais chamou atenção foi que muitos focos estavam em objetos comuns da rotina doméstica, que passam despercebidos na correria do dia a dia.
Entre os vilões mais frequentes estão bebedouros de animais, climatizadores de ar e recipientes com plantas aquáticas. São pontos que acumulam água limpa e parada, ambiente perfeito para o mosquito se reproduzir. “Muita gente acha que só grandes depósitos oferecem risco, mas são esses pequenos volumes de água que sustentam a infestação”, reforçou o coordenador durante a mobilização.
O trajeto da caminhada começou na região do Pássaro Grande e seguiu até o início da Avenida Araguaia, passando por áreas de grande circulação, comércios e prédios públicos, entre o Museu Dom Prado e a Câmara Municipal. Durante o percurso, os participantes carregaram faixas educativas e distribuíram materiais informativos, enquanto agentes conversavam diretamente com quem passava pelas calçadas e lojas.
A vice-prefeita Maria Abadia Martins, conhecida como Bia, participou do ato representando o prefeito Azarias Machado, que cumpria compromissos oficiais em Brasília. Em seu pronunciamento, ela destacou que o enfrentamento ao mosquito é uma prioridade da gestão e lembrou sua experiência na área da saúde para enfatizar a gravidade da doença.
Bia ressaltou que a dengue pode evoluir rapidamente e provocar complicações sérias, inclusive fatais. Segundo ela, o município já sentiu os impactos da doença em anos anteriores, o que reforça a necessidade de ações preventivas contínuas e da colaboração de toda a população.
Durante as orientações repassadas ao longo da caminhada, os agentes reforçaram que apenas esvaziar recipientes não resolve o problema. Os ovos do mosquito conseguem aderir às paredes internas dos objetos e resistem mesmo sem água. Quando o recipiente volta a encher, a eclosão acontece rapidamente.
Por isso, a recomendação é lavar bem, com escova, qualquer reservatório que possa acumular água, incluindo potes de animais, baldes, caixas e bandejas de climatizadores. A vistoria também deve incluir calhas, ralos, vasos de plantas, garrafas e qualquer outro local onde a água possa se acumular.
Outra orientação importante é criar o hábito de inspeção frequente. Reservar alguns minutos, uma ou duas vezes por semana, já faz diferença. O ciclo de desenvolvimento do Aedes aegypti é curto: em cerca de uma semana a dez dias, o mosquito passa do ovo ao estágio adulto, pronto para se reproduzir e transmitir doenças.
A mobilização deixou claro que o poder público está fazendo sua parte com monitoramento e ações de campo, mas o resultado só aparece quando cada morador assume o papel de vigilante dentro do próprio quintal. No combate à dengue, descuido vira risco — e prevenção vira responsabilidade coletiva.

