Brasil supera a França nas vendas globais de pacotes de esqui do Club Med pela primeira vez na história, revelando uma ascensão notável no turismo de inverno. Em 2025, as vendas durante a semana de early booking atingiram R$ 360 milhões, representando um crescimento superior a 50% em relação ao ano anterior, com mais de 20 mil reservas. Este sucesso impulsionou cerca de 32 mil brasileiros a vivenciar a neve, refletindo a expectativa crescente por destinos de ski como Bariloche e Aspen. A nova classe alta, originada fora das tradicionais regiões de luxo, está redefinindo o cenário do turismo de neve.
A busca por experiências de inverno se intensifica com o Brasil conquistando o terceiro lugar em visitas à Aspen. Dados recentes indicam que, com a França superada, o Brasil começa a se estabelecer na categoria premium de turismo de neve. A experiência de viagem está se transformando, e os destinos alpinos já falam em português, reforçando a presença brasileira. Cidades como Cerro Bayo se tornam cada vez mais populares, com famílias atraídas pela paixão pelo esqui.
O fenômeno começou para muitos brasileiros, como a experiência de um viajante que, em 2025, pela primeira vez viu neve no Alasca. Após essa experiência, a paixão pelo esqui se intensificou, levando-o a participar de uma missão de familiarização em Mendoza e, posteriormente, a praticar esqui em LAAX, Suíça. Essa jornada pessoal reflete a explosão de interesse e participação no turismo de inverno no Brasil.
Os números refletem três camadas de demanda no turismo de esqui. A primeira, formada por viajantes que escolhem os Andes, como Bariloche, que viu 54,9 mil visitantes brasileiros entre junho e setembro de 2025. A segunda camada inclui os Alpes, com Courchevel registrando cerca de 82 mil estadias brasileiras na temporada 24/25, mantendo o Brasil na lista dos principais mercados emissores. Finalmente, o topo desse mercado é ocupado por Aspen, que se consolida como um dos destinos mais procurados.
A dinâmica do mercado de luxo no Brasil se comprova pela criação de uma nova camada de consumidores, com a Bain & Company notificando que o setor de luxo brasileiro alcançou R$ 98 bilhões em 2024. O segmento de Hotéis e Experiências cresceu 16%, enquanto agências de turismo de luxo como a Virtuoso reportaram aumento de 25% em 2024 em relação a 2023. Transações de cartões Visa de alto padrão em destinos de neve também cresceram 20% em 2025.
Essa ascensão no turismo de esqui e a mudança no perfil do consumidor estão alterando a forma como o mercado se estrutura. A ExpoSKI 2025, que recebeu 85 montanhas de oito países, ainda proporcionou 1.800 reuniões comerciais B2B, com 40% das agências participantes vindo de fora de São Paulo. O crescimento de 140% nas estações francesas de esqui entre 2019 e 2025, excluindo os brasileiros com passaporte europeu, também é um indicativo de um mercado em expansão.
O impulso cultural por trás desta tendência é evidenciado por marcas de moda de inverno, que estão se expandindo rapidamente. A The North Face teve um crescimento de 40% em 2024, enquanto outras marcas como a NV lançaram coleções específicas para o esqui. Este fenômeno mostra que a cultura da neve já se infiltrou no cotidiano dos brasileiros, agora sendo parte integrante do varejo.
No entanto, o futuro apresenta desafios. O término das vantagens cambiais da Argentina pode deslocar clientes em busca de alternativas como o Chile. O crescimento global está se normalizando após a recuperação das viagens pós-pandemia, enquanto a demanda pela neve pode enfrentar oscilações. A Selic, que está em 15%, e o PIB brasileiro crescendo 2,3% em 2025, ilustram um cenário de consumo que, embora desacelerando, ainda está em uma trajetória de expansão robusta.
O reconhecimento do Brasil no turismo de neve está solidificado, com uma presença crescente em qualquer fila de teleférico nos Alpes. A diversidade nesse novo perfil de viajantes reflete um apetite por mais experiências no mundo da neve. Com um futuro promissor pela frente, a estação de esqui no Brasil se prepara para receber uma nova geração de aventureiros.

