A 27ª edição do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica 2026), realizada de 16 a 21 de junho na cidade de Goiás, resultou em um documento crucial para a preservação do patrimônio audiovisual. Durante o workshop denominado Desafios da Preservação Audiovisual, especialistas, gestores e representantes de diversas instituições discutiram a importância de assegurar políticas públicas para garantir o acesso e a proteção desses acervos. A chamada Carta pela Preservação Audiovisual como Direito, Memória e Política Pública destaca a preservação como uma garantia do direito à memória e à cultura no Brasil.
O workshop, realizado em 18 de junho, contou com a participação de profissionais de áreas como cinema, universidades, arquivos e festivais. Entre os participantes, estavam nomes como a preservadora audiovisual Débora Butruce, da Associação Brasileira de Preservação Audiovisual (ABPA), e Gisele Garcia, coordenadora do Museu da Imagem e do Som de Goiás. Os debates culminaram na elaboração de um documento que considera a preservação audiovisual como uma política fundamental para a cultura e a cidadania.
A proposta central da carta é que a preservação vai além da mera conservação de imagens e sons, sendo essencial para proteger identidades culturais e garantir que futuras gerações tenham acesso às ricas narrativas de nossa sociedade. A ausência de financiamento estável, a falta de especialistas e os altos custos de manutenção foram citados como desafios que impedem o avanço das iniciativas no setor.
Uma das principais recomendações é a ampliação da colaboração entre instituições públicas e privadas, além da criação de laboratórios e estruturas compartilhadas. Os participantes também enfatizaram a importância de adotar práticas de catalogação e documentação desde o início da produção audiovisual, visando evitar perdas e reduzir custos no futuro.
No cenário de Goiás, o documento ressalta a importância de iniciativas como o Repositório Digital Audiovisual Goiano, que está sendo implementado pela Secretaria de Estado da Cultura. A proposta inclui ações de mapeamento de acervos e formação técnica para fortalecer o acesso à memória audiovisual do estado.
Além disso, a carta propõe a criação de uma política estadual de preservação, que una esforços da sociedade civil, universidades e instituições culturais. Essa abordagem deve contemplar a valorização de acervos localizados fora dos grandes centros urbanos e reconhecer a significativa contribuição de arquivos comunitários e familiares para a construção da memória coletiva.
Os participantes reafirmaram a necessidade de tratar a preservação audiovisual como uma prioridade estratégica. A continuidade das discussões iniciadas durante o Fica 2026 é essencial para transformar as propostas debatidas em ações efetivas. Preservar a memória é, segundo a carta, um compromisso com a história, a democracia e as futuras gerações.
A íntegra da carta pode ser conferida no site oficial do festival. Para mais informações, o evento contou com a colaboração de parceiros como a Fundação Oswaldo Cruz, Unesco e diversas secretarias estaduais, visando garantir um entendimento amplo e colaborativo sobre a cultura e a preservação no Brasil.
Fotos: Secult Goiás

