Turismo na Era da Inteligência Artificial: Estratégias para Atrair Viajantes
A maneira como os turistas planejam suas viagens passou por uma transformação significativa, impulsionada pela tecnologia e por uma personalização intensa. No contexto do Seminário Nacional de Regionalização do Turismo, especialistas discutiram como as cidades podem se destacar nesse cenário em mudança, com foco na utilização da inteligência artificial (IA) como uma ferramenta estratégica para potencializar a atração de visitantes.
O painel intitulado “Como ser Competitivo nas Buscas por IA no Turismo?” contou com a presença do consultor de marketing Thiago Akira, que destacou que a era do viajante “AI-First” já está em pleno desenvolvimento. Dados revelam que 40% dos turistas ao redor do mundo utilizam a IA para planejar suas viagens, e as buscas por “ajuda para planejar viagem” cresceram 190%.
Akira apontou que os turistas não se limitam mais a pesquisas simples. “Em vez de procurar apenas por atividades na cidade, eles agora pedem: ‘Crie um roteiro de quatro dias no circuito das águas, de Minas Gerais, para minha família’”, explicou, destacando o nível de personalização que a IA oferece neste contexto.
Essa nova realidade também beneficia destinos turísticos menores, que agora têm uma oportunidade singular após a revolução tecnológica. Um estudo mostra que 36% dos usuários da IA descobrem lugares que não estavam em seu radar inicial, e 63% das referências geradas pela IA no Google não estão entre os dez primeiros resultados orgânicos conhecidos. Isso sugere que localidades pequenas podem ser introduzidas aos turistas apenas por meio de recomendações automatizadas, trazendo à tona a importância da regionalização no turismo.
De acordo com Ana Carla Fernandes Moura, coordenadora-geral do Ministério do Turismo, o foco deve ser a promoção de municípios que, mesmo sem grandes estruturas turísticas, oferecem riqueza cultural como gastronomia e artesanato. “Não são só os destinos conhecidos que atraem visitantes”, disse.
Para que os destinos ganhem destaque nas recomendações geradas pela IA, é vital otimizar seus websites com informações de qualidade. Akira destacou que sites institucionais são considerados fontes de alta credibilidade pelas ferramentas de busca, mas advertiu que a falta de atualização e a má estruturação podem levar a resultados confusos para os viajantes. “Se a informação estiver errada ou desatualizada, isso gera ruído”, afirmou.
O conceito de LLMO (Otimização para Modelos de Linguagem, em inglês) emergiu como uma nova abordagem para posicionar conteúdos, propondo um foco que não só atenda aos usuários humanos, mas também seja compreensível para as máquinas. Akira aconselha que o momento é adequado para os destinos investirem em canais de comunicação próprios e autorais.
As redes sociais e influenciadores também servem como fontes valiosas de dados. Estudos indicam que mais de 50% das informações que alimentam a IA vêm de plataformas como YouTube, TikTok e Instagram. Para otimizar esses conteúdos, é essencial que os criadores utilizem nomes oficiais e ofereçam descrições minuciosas sobre as atrações locais, já que informações genéricas geram dados limitados.
A capacitação de profissionais do turismo é crucial para a adaptação a essas novas ferramentas. Ana Carla Moura ressaltou a necessidade de treinamento para garantir a melhor experiência ao turista. “Desenvolver produtos é importante, mas o treinamento é fundamental para um atendimento de qualidade”, enfatizou.
Para gestores que buscam se destacar na era digital, Thiago Akira recomenda um passo inicial simples: entender a perspectiva do viajante. “Utilize o Google para investigar as sugestões automáticas sobre sua região. Isso ajudará você a moldar e dominar esse espaço”, concluiu.

