A Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa) anunciou a implementação da Instrução Normativa nº 1/2026 na última sexta-feira, 15 de maio, que institui o Programa Estadual de Prevenção e Controle Complementar ao HLB (PECHLB). A medida visa estabelecer práticas fitossanitárias para combater o Huanglongbing (HLB), também conhecido como Greening, reconhecido como a mais devastadora doença para as plantações de citros em todo o mundo. A normativa é parte dos esforços para resguardar a citricultura no estado de Goiás, dada sua importância econômica e social.
O presidente da Agrodefesa, José Ricardo Caixeta Ramos, enfatizou a relevância do programa para a cadeia citrícola goiana, que representa uma significativa fonte de renda e geração de empregos. “Proteger a cultura de citros é essencial para o desenvolvimento econômico do estado”, afirmou, ressaltando o papel da Agrodefesa no controle das pragas e na preservação da saúde das plantações.
As diretrizes estabelecidas na instrução normativa incluem um conjunto abrangente de ações destinadas à prevenção, monitoramento e erradicação da doença. Segundo o diretor de Defesa Agropecuária em exercício, Fernando Bosso, a normativa também diferencia os procedimentos para regiões onde a doença já foi identificada, visando maior eficacia nas intervenções fitossanitárias. “Essa abordagem segmentada é crucial para proteger áreas ainda livres do HLB”, destacou Bosso.
Conforme o gerente de Sanidade Vegetal da Agrodefesa, Leonardo Macedo, o programa implica medidas como levantamento anual das condições fitossanitárias e a imediata erradicação de plantas infectadas. Os produtores também serão responsáveis pela remoção das plantas hospedeiras, mesmo sem direito a indenizações, e pelo manejo adequado para prevenir novas brotações.
No Brasil, o HLB já foi identificado em diversos estados, incluindo São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina, e atualmente não existem variedades comerciais de plantas resistentes à doença. Transmitida pela bactéria Candidatus Liberibacter spp., a doença afeta o floema das plantas e sua propagação ocorre por meio do inseto psilídeo Diaphorina citri, que se desloca entre variedades cítricas e também na planta murta, um hospedeiro do vetor da doença.
A coordenadora do Programa de Citros da Agrodefesa, Mariza Mendanha, alertou para a importância da inspeção constante e da eliminação imediata das plantas que apresentem sintomas do HLB. Ela explicou que os principais sinais da doença incluem folhas amareladas, frutos deformados e queda de frutas, ressaltando que “a falta de controle pode levar a uma drástica redução da produção de citros”.
Com a vigência da IN 1/2026, está proibida a manutenção de murta (Murraya paniculata) em propriedades nos municípios afetados pela doença. Os exemplares existentes deverão ser eliminados, e fica vedado o trânsito, tanto intra quanto interestadual, de plantas ou partes de murta. Varejistas e produtores com essas espécies precisam descartá-las imediatamente, e sua comercialização está proibida.
Essas ações refletem um esforço contínuo para proteger a agricultura do estado e garantir a sustentabilidade da citricultura, com foco na saúde da produção e na segurança alimentar da população goiana.

