Cana-de-açúcar: Pilar do Agronegócio Brasileiro e Potência no Mercado Global
A cana-de-açúcar é um dos principais pilares do agronegócio brasileiro, destacando-se tanto na produção de açúcar quanto na produção de etanol. Essa cultura é fundamental para a matriz energética do Brasil, abastecendo o mercado de biocombustíveis e se reafirmando no cenário internacional. Desde a safra 2022/23, o Brasil consolidou sua posição como maior produtor mundial de cana-de-açúcar, respondendo por aproximadamente 23,5% da produção global, com estimativas de 44,4 milhões de toneladas para a safra 2025/26. O país também se destaca como o principal exportador, prevendo-se a venda de 35,7 milhões de toneladas no comércio internacional.
Desempenho Regional e Safras
A produção nacional de cana se concentra na região Centro-Sul, que, na safra 2025/26, representa 91,5% do total do país, equivalente a 616,2 milhões de toneladas. Essa cifra mostra uma leve queda de 0,4% em comparação ao ano anterior. Apesar do aumento na produção nas demais áreas do Centro-Oeste, os estados de São Paulo e Minas Gerais enfrentaram desafios climáticos que afetaram negativamente seus canaviais. No entanto, o desempenho de Goiás foi bastante positivo, com crescimento de 18,5% na produção, superando a média nacional de 2,4%. Goiás também ampliou sua produtividade em 10,7% contra 3,5% do Brasil.
No estado, a safra de 2025/26 atingiu recordes históricos, com produção de 80,1 milhões de toneladas em 1,0 milhão de hectares, garantindo a segunda posição nacional, respondendo por 11,9% do total. Goiás se destacou ainda com uma impressionante média de 10,7 milhões de toneladas de Açúcar Total Recuperável (ATR), refletindo a qualidade e o potencial de conversão da cana em açúcar e etanol.
Além disso, 85,3% do etanol produzido em Goiás além de proveniente da cana, com o restante vindo do milho. O estado é o segundo maior produtor de etanol de cana, com 4,5 bilhões de litros gerados, correspondendo a 16,7% da produção nacional. Se forem considerados todos os tipos de etanol, Goiás é o terceiro maior produtor, atrás apenas de São Paulo e Mato Grosso.
Tendências de Consumo e Preços
Embora o Brasil seja um dos maiores consumidores de açúcar, a demanda doméstica projetada para a safra 2025/26 é de cerca de 9,0 milhões de toneladas, evidenciando uma diminuição que não se via desde 1998/99. Isso tem influenciado na queda das cotações do açúcar, que desde 2024 vêm apresentando desvalorização. Em março de 2026, os preços médios atingiram cerca de R$99,78 por saca, aproximando-se dos valores de outubro de 2020.
No segmento do etanol, o aumento nos preços do petróleo internacional, influenciado por tensões geopolíticas, adiciona uma camada de competitividade ao biocombustível. Embora tenha havido diminuições pontuais nos preços, o ciclo 2025/26 ainda apresenta valores médios superiores aos do ciclo anterior.
Valor Bruto de Produção e Exportações
Em 2025, o Valor Bruto da Produção (VBP) da cana-de-açúcar em Goiás alcançou um recorde de R$14,0 bilhões. Para 2026, a previsão é que este valor seja de aproximadamente R$13,3 bilhões, um recuo de 4,9%, mas ainda assim representando o quarto melhor desempenho dos últimos dez anos. Essa cultura representa 17,4% do VBP total das lavouras goianas, posicionando-se como a segunda mais importante, atrás apenas da soja.
Com relação às exportações, 91,7% do valor total exportado em 2025 refere-se ao açúcar de cana. Embora tenham sido observadas quedas nas exportações para parceiros tradicionais como os Estados Unidos e a Índia, houve um crescimento significativo nas vendas para a Nigéria e Bangladesh, indicativo de um redirecionamento positivo nas relações comerciais do estado.
Potencial da Bioenergia em Goiás
A cadeia sucroenergética no estado também demonstra potencial na produção de biogás a partir de resíduos agroindustriais, como a vinhaça. A produção de biogás em Goiás já atingiu 86,46 milhões de Nm³ e a estimativa é que o setor sucroenergético poderia alcançar até 2,5 bilhões de Nm³ anualmente, refletindo a capacidade do estado de expandir suas fontes de energia renovável. Este cenário é crucial para melhorar a eficiência produtiva e reduzir impactos ambientais.

