O Dia Mundial do Livro, comemorado em 23 de abril, destaca a importância da leitura e dos direitos autorais, trazendo à tona a relação entre a literatura e outras formas de arte, como o cinema. Este ano, as adaptações cinematográficas têm desempenhado um papel fundamental na promoção das vendas de livros, atraindo tanto amantes da leitura quanto o público em geral que aprecia a sétima arte.
Para muitos, a experiência de ler um livro antes de assistir à sua adaptação cinematográfica enriquece a compreensão da obra. É o que defende Alícia Fuentes, uma química de Brasília, que compartilha sua visão sobre essa interconexão. Ela destaca a satisfação de visualizar o mundo imaginado em páginas impressas na tela grande, oferecendo assim uma nova perspectiva da narrativa.
“Eu gosto, por exemplo, de ler os livros antes da adaptação. Ver como o autor escreveu e tudo mais, para depois ver como foi adaptado. E aí ver aquele universo que eu só tinha imaginado, né, na tela, foi como poder viver aquela história de novo. Melhor ainda do que o livro, às vezes, em determinados momentos. Por isso que eu acho que, assim, vale muito a pena ler o livro antes da tela, porque eu acho que você vive a história duas vezes.”
A escritora alagoana Cibele Tenório também aborda essa relação simbiótica, sublinhando que filmes inspirados em livros frequentemente atuam como catalisadores para novos leitores. Em sua experiência, obras cinematográficas da infância a levaram a descobrir os livros que as originaram, provando que diferentes mídias podem se complementar.
“Muitas vezes, o meu mundo foi povoado por filmes na infância, adolescência, que eram baseados em livros e eu nem sabia. E só depois eu ia descobrir que aquelas obras que eu amava eram, né, baseadas em livros. Eu acho que são coisas que se retroalimentam.”
Um exemplo recente dessa interconexão é o longa-metragem “Ainda Estou Aqui”, dirigido por Walter Salles, que conquistou o primeiro Oscar brasileiro de Melhor Filme Internacional no ano passado. A história, originada do livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva, viu um aumento significativo nas vendas, uma década após seu lançamento.
Cibele Tenório, que é também autora da biografia da sufragista Almerinda Gama, expressa seu desejo de ver sua obra adaptada, não só para o cinema, mas até mesmo nas escolas de samba, enfatizando a singularidade da narrativa popular que essas manifestações artísticas podem oferecer.
“Eu acho muito legal série, filme. Pra mim seria uma honra se um dia, né, o meu livro ‘Almerinda Gama: A Sufragista Negra’ fosse tema de qualquer adaptação, mas em especial das escolas de samba.”
Assim como “Ainda Estou Aqui”, outra obra que desfrutou de notoriedade foi “Um Defeito de Cor”, de Ana Maria Gonçalves, que, após ser incorporada ao enredo da escola de samba Portela, viu suas cópias se esgotarem nas livrarias, demonstrando como o carnaval também pode impulsionar o interesse literário.
É fundamental observar que qualquer adaptação literária deve respeitar os direitos autorais. No Brasil, isso implica que uma obra pode ser transformada em filme apenas após 70 anos da morte do autor, ou mediante licenciamento. O especialista em direitos autorais, Paulo Palhares, elucida que a obra adaptada é considerada uma derivação da original, ressaltando a necessidade de regulamentação dos direitos e obrigações no contrato de adaptação.
“A obra audiovisual é uma obra derivada da obra original. Então, em todos os casos, é preciso se referir a essa adaptação de que essa obra é uma obra derivada de um original.”
Desde sua criação em 1995, a UNESCO celebra o Dia Mundial do Livro e dos Direitos Autorais, data que coincide com o falecimento de ícones da literatura, incluindo William Shakespeare, e reafirma a relevância da leitura na sociedade contemporânea.
