A fragmentação das áreas naturais no Brasil cresceu quase três vezes desde 1986, conforme revela um novo estudo do MapBiomas, apresentado na quarta-feira. Com isso, a biodiversidade do país enfrenta sérios riscos. Esse fenômeno, resultante do desmatamento, divide a vegetação nativa em pequenos fragmentos, semelhantes a ilhas, isolados entre extensões de plantações e áreas urbanas. Essa alteração é impulsionada, principalmente, pela expansão da agropecuária, urbanização e construção de estradas.
O estudo indica que, enquanto em 1986 o Brasil contabilizava 2,7 milhões de fragmentos, em 2023 essa cifra saltou para 7,1 milhões. Além do aumento no número, o tamanho médio dessas áreas fragmentadas diminuiu, aumentando sua vulnerabilidade à degradação e à extinção de espécies. O pesquisador Dhemerson Conciani, coordenador do módulo de degradação do MapBiomas, explica que “a proximidade da borda de fragmentos expõe a vegetação à deriva de agrotóxicos, ao fogo e ao isolamento, que dificulta o fluxo de diversidade genética, aumentando o risco de extinções locais”.
Os biomas do Pantanal e da Amazônia foram os mais afetados pela fragmentação. No entanto, o Cerrado e a Mata Atlântica continuam sendo os mais fragmentados. Por outro lado, a Mata Atlântica apresenta um fenômeno diferenciado: aproximadamente 18,5% da vegetação nativa deste bioma é considerada secundária, resultado de processos de recuperação ambiental, conforme aponta Conciani.
Para reverter essa situação alarmante, o especialista destaca duas frentes prioritárias: a implementação de políticas públicas mais eficazes para conter o desmatamento e a restauração de áreas já fragmentadas, por meio da criação de corredores verdes que permitam a conexão entre os fragmentos isolados.
*Matéria atualizada às 12h50 para correção de informação.
