Faleceu na última quarta-feira, 22 de setembro, aos 98 anos, o renomado cineasta Luiz Carlos Barreto, no Rio de Janeiro. Reconhecido como um dos maiores produtores do cinema brasileiro, Barreto deixou um legado significativo, com obras marcantes como “Terra em Transe” e “Vidas Secas”.
Em homenagem a sua extensa contribuição cultural, o presidente Lula declarou luto oficial de três dias em todo o país.
Internado desde a última segunda-feira no Hospital Copa Star, localizado em Copacabana, o cineasta lutava contra uma infecção pulmonar.
Uma Vida Dedicada ao Cinema
Luiz Carlos Barreto, natural de Sobral, no Ceará, começou sua trajetória no universo cinematográfico com um profundo amor pela sétima arte. Na década de 1950, atuava como fotógrafo da revista O Cruzeiro, antes de se aventurar no cinema.
Teve sua estreia como roteirista na produção “O Assalto ao Trem Pagador”, dirigida por Roberto Farias e lançada em 1962. No ano seguinte, fundou a L.C. Barreto Produções, ao lado da esposa Lucy Barreto, e se destacou na defesa do cinema nacional durante o período da ditadura militar. Sua primeira grande produção foi “Vidas Secas”, de Nelson Pereira dos Santos, que é considerada uma pedra angular do movimento Cinema Novo.
Com uma carreira que abrange mais de 50 produções cinematográficas, Barreto foi responsável por grandes sucessos, como “O Beijo no Asfalto” e “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, ambos sob a direção de seu filho, Bruno Barreto. Este último se destacou por mais de três décadas como a maior bilheteira do cinema nacional.
Reconhecimento e Legado
Conhecido como Barretão, Luiz Carlos Barreto foi indicado ao Oscar em duas ocasiões, pelos filmes “O Quatrilho” e “O Que É Isso, Companheiro?”, ambos dirigidos por seus filhos. Sua influência foi amplamente reconhecida por entidades do audiovisual, destacando a importância do seu trabalho para a construção de uma identidade no cinema brasileiro.
A Ancine, Agência Nacional do Cinema, emitiu nota lamentando a perda e ressaltando como Barreto defendia o cinema nacional com ousadia e vocação própria. A Academia Brasileira de Letras também enfatizou seu papel formativo de várias gerações de cineastas, reconhecendo sua atuação na luta por políticas públicas para o setor.
O velório de Luiz Carlos Barreto será realizado nesta quinta-feira, 23 de setembro, no Palácio da Cidade, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Após a cerimônia, o corpo será cremado no Memorial do Caju, situado na Zona Norte.
