Produção de sorgo no Brasil atinge recorde na safra 2025/26, com Goiás liderando crescimento significativo

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Produção de sorgo no Brasil atinge recorde na safra 2025/26, com Goiás liderando crescimento significativo

O sorgo, grão introduzido no Brasil no início do século XX, emerge como um pilar fundamental na alimentação animal e destaca-se pela sua adaptabilidade a condições climáticas adversas. Este cereal tem se mostrado um aliado estratégico no agronegócio brasileiro, especialmente em Goiás, onde sua produção tem crescido substancialmente, acompanhando a demanda de sistemas pecuários mais sustentáveis e resilientes.

Atualmente, o sorgo se afirma como uma alternativa viável para a 2ª safra, com plantio concentrado entre fevereiro e março e colheita de junho a agosto. Sua rusticidade e custos de produção inferiores em relação ao milho o tornam uma escolha atrativa para os agricultores. Na nutrição animal, o sorgo pode ser utilizado tanto em silagem quanto na formulação de rações. Além disso, sua versatilidade o posiciona como um potencial insumo na produção de biocombustíveis, ampliando seu Leque de aplicações no agronegócio.

No cenário internacional, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta que a produção global de sorgo na safra 2025/26 alcance aproximadamente 61,7 milhões de toneladas, representando uma queda de 3,0% em comparação com a temporada anterior. O Brasil, atualmente, ocupa a terceira posição na produção mundial, respondendo por 8,4% do total, atrás apenas dos Estados Unidos e da Nigéria. O país se destaca ainda na eficiência produtiva, ocupando a 7ª colocação em termos de área colhida.

De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção de sorgo no Brasil deverá atingir um recorde de 7,5 milhões de toneladas na safra 2025/26, abrangendo uma área de 2,0 milhões de hectares. Goiás lidera esse crescimento, prevendo um aumento de 59,9% na área cultivada e 40,3% na produção em relação à safra anterior. Outros estados, como Mato Grosso do Sul, Bahia e São Paulo, também projetam aumentos significativos em seus cultivos.

Entre 2016 e 2025, a produção de sorgo em Goiás praticamente triplicou, com a produtividade média apresentando um incremento de 0,4% nos últimos dez anos. Para a safra 2024/25, o rendimento médio foi de 4,0 toneladas por hectare, superando a média nacional em 7,1%. Para a safra 2025/26, Goiás espera produzir 2,2 milhões de toneladas em 631,1 mil hectares, consolidando-se como o maior produtor do país com 29,3% do total nacional.

O cultivo de sorgo em Goiás abrange 128 municípios, com a maior concentração na região sul do estado e no entorno do Distrito Federal, conforme dados do IBGE. Os municípios de Cristalina e Rio Verde se destacam como os maiores produtores, juntos respondendo por 28,3% da produção total do estado em 2024. Montividiu, por sua vez, apresentou o maior crescimento, com uma colheita que saltou de 3,6 mil toneladas em 2023 para 49,5 mil toneladas em 2024.

As cotações do sorgo, considerado o principal substituto do milho na alimentação animal, estão diretamente relacionadas ao mercado desse cereal. Assim, os preços tendem a refletir as variações do milho, com preços que costumam ser de 65% a 90% inferiores ao do milho. Em Goiás, o custo de produção do sorgo em 2025 foi estimado em R$ 4,117.77 por hectare, enquanto o milho 2ª safra alcançou R$ 5,729.50, evidenciando a competitividade do sorgo como alternativa viável.

No que diz respeito ao mercado internacional, as exportações de sorgo em Goiás em 2025 se concentraram em junho, com envios predominantemente para a Argentina. No acumulado de janeiro a abril de 2026, as exportações goianas totalizaram 41,8 toneladas, avaliadas em US$ 201,8 mil, para países como Paraguai, Bolívia, Estados Unidos e Hungria. Apesar do crescimento na produção, as exportações ainda são limitadas, concentrando-se em atender ao mercado interno.

No campo da bioenergia, o sorgo emerge como uma matéria-prima promissora para a produção de etanol. Embora o estado de Goiás cultive majoritariamente sorgo granífero, o sorgo sacarino se destaca por sua alta concentração de açúcares e ciclo produtivo curto, favorecendo o abastecimento das destilarias especialmente no período da entressafra da cana-de-açúcar. Essa diversificação apresenta novas oportunidades, especialmente com a oferta de coprodutos como os grãos secos de destilaria (DDGs), que são altamente valorizados na nutrição animal.

Assim, o sorgo se apresenta como um grão de múltiplas aplicações, garantindo não apenas a viabilidade econômica para os produtores, mas também uma contribuição significativa para a sustentabilidade das cadeias produtivas no Brasil.

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