Acontece em Fortaleza a sétima edição da Feira do Cordel Brasileiro, que se inicia neste sábado, dia 20, e vai até o dia 28 de junho. O evento, que ocorre na Caixa Cultural, oferece uma rica programação gratuita, incluindo shows, exposições e oficinas, e tem como intuito celebrar a rica tradição da literatura de cordel.
A literatura de cordel, que possui raízes na tradição oral e se conecta a expressões como o repente e a cantoria, é reconhecida como patrimônio cultural imaterial do Brasil. Esse estilo literário é particularmente forte em estados nordestinos, como Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará e Bahia. Klévisson Viana, cordelista e organizador do evento, carrega em sua família uma herança de poetas, sendo bisneto, neto e filho de contadores de histórias. Ele está à frente da Feira há uma década, com o objetivo de fortalecer a ligação das novas gerações com essa forma de arte.
“Estamos sempre em sintonia entre tradição e modernidade. O palco é frequentemente compartilhado por artistas jovens e veteranos, mostrando que a cultura popular é vibrante e acessível a todas as idades”, afirma Klévisson, engajado em promover a inclusão cultural.
Entre as atividades programadas, destaca-se o espetáculo “Eu parece que tô vendo”, do paraibano Jessier Quirino, que será apresentado neste fim de semana. A abertura oficial da feira ocorrerá no dia 25, com recitais e shows de grandes nomes, como Ivanildo Vilanova, Jonas Bezerra, Mestre Geraldo Amâncio e Chico Pedrosa.
Klévisson Viana salienta o poder do cordel em resgatar emoções em tempos onde a inteligência artificial pode ameaçar a criatividade humana. Segundo ele, mesmo que a tecnologia evolua, ela não consegue capturar a essência única de cada autor:
“Um texto produzido por IA, por mais elaborado que seja, não reflete as nuances e o sotaque que cada ser humano incorpora em suas palavras, fazendo do cordel algo realmente singular e especial”, acredita.
Além dos shows, a feira também oferecerá oficinas sobre desenho, xilogravura e cordel, além de apresentações de forró com Cacimba de Aluá e o Teatro de Bonecos da Cia Calunga de Teatro.
Após passar por Salvador, o evento se instala em Fortaleza e tem previsão de chegar a Brasília e São Paulo na sequência. Todas as programações são gratuitas, e mais informações podem ser encontradas no site da Caixa Cultural.
